Autor de conto que inspirou filme “Morto Não Fala”, jornalista prepara coletânea

Leandro Haberli | 21/10/2019 17:23
Um conto escrito há 15 anos, quando Marco de Castro era repórter policial do jornal Agora São Paulo, serviu de inspiração para o primeiro longa-metragem do diretor Dennison Ramalho, que já dirigiu quatro curtas de terror.

O filme “Morto Não Fala” estreou no cinema nacional no dia 10 de outubro, depois de passar pelas telas da Rússia e do México. 

A obra narra a vida de um médico legista que tem o dom de conversar com os recém-mortos. “Era normal, na época, eu ir ao IML para entrevistar parentes de mortos em crimes violentos. Em uma dessas ocasiões, tive a ideia de escrever o conto”, conta Castro. 

Na época, o jornalista mantinha o blog Casa do Horror, com histórias de terror.

Atualmente editor da home do R7, Marco de Castro falou ao  Portal IMPRENSA sobre os planos de transformar os contos escritos na época em um coletânea. 
Crédito:Arquivo pessoal


PORTAL IMPRENSA – Como surgiu esse roteiro? 
MARCO DE CASTRO – Em 2004, eu escrevi o conto “Morto Não Fala”, publicado no blog Casa do Horror, que reunia histórias ficcionais de terror que eu criava. No mesmo ano, li uma entrevista do diretor Dennison Ramalho, que havia lançado o curta Amor Só de Mãe (2003). Ele dizia, na entrevista, que era difícil filmar terror no Brasil devido à escassez de histórias originais do gênero. Mandei então meu blog para ele, e marcamos uma cerveja. Ele então disse que queria adaptar “Morto Não Fala” como um curtametragem. De lá para cá, passaram-se 15 anos. Muita coisa aconteceu. O projeto de curta-metragem virou um projeto de série, tocado em parceria com a produtora Casa de Cinema de Porto Alegre. Por volta de 2013, a TV Globo abraçou o projeto, e o Dennison começou a escrever o roteiro junto com Claudia Jouvin. Pouco depois, vários projetos de série da Globo foram suspensos, entre eles “Morto Não Fala”. Foi decidido, então, que o projeto seria transformado em um filme da Globo Filmes. 

- Qual a relação deste roteiro com a sua profissão? 
Bom, como eu disse, eu não sou o roteirista. Sou autor do conto. O conto foi escrito na época em que eu era repórter de cidades do jornal Agora São Paulo, cobrindo principalmente casos de polícia. Era normal, na época, eu ir ao IML para entrevistar parentes de mortos em crimes violentos. Em uma dessas ocasiões, tive a ideia de escrever o conto. Imaginei um atendente do IML Leste, de Arthur Alvim, que tivesse o dom de falar com os mortos e o que os cadáveres poderiam lhe dizer. Escrevi o conto a partir dessa ideia. 

- Você tem outros contos? Pretende lançar um livro ou fazer novos roteiros? 
Tenho contos publicados no blog Casa do Horror e também alguns inéditos. Estou em negociação com uma editora para lançar uma coletânea com esses contos em livro, o que, se der tudo certo, deve acontecer em 2020. 

- Você acompanhou/participou da gravação do filme?
Não, pois o filme foi rodado em Porto Alegre. E eu moro e trabalho em São Paulo, o que impossibilitou minha ida até lá. Se não me engano, o longa foi filmado em outubro e novembro de 2016. 

- Por favor, faça um resumo da sua carreira. 
Minha carreira jornalística começou em 2000, no jornal Agora São Paulo, como estagiário e, posteriormente, repórter de cidades. Em 2006, migrei para o Diário de S.Paulo, onde fui editor-assistente de Cidades. Voltei ao Agora em 2010 como subeditor do Caderno Show!, função em que fiquei até 2014, quando fui para o UOL. Lá, fui subeditor de Entretenimento e da home do portal. Desde o início de 2018, sou editor da home do portal R7. Os contos de terror sempre foram apenas um passatempo para mim.

- Alem do roteiro, você é vocalista de uma banda. Fale mais sobre esse projeto. 
Sou vocalista de duas bandas, o Coice e o Aparelho, ambas de punk rock. O Coice surgiu em 2013 e tem dois discos e um EP lançados. Já o Aparelho surgiu em 2017. Também já lançou um disco e agora prepara o segundo. Em ambas as bandas, além de cantar, componho músicas e letras. Tocamos em qualquer lugar que ceder espaço para nossos shows.

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