Seminário discute jornalismo brasileiro no cenário da desinformação

Kassia Nobre | 18/10/2019 14:55
Os principais mecanismos criados pela mídia brasileira para combater a desinformação foram tema do Seminário Desinformação: antídotos e tendências. O evento também debateu a desinformação nas eleições. 

O painel “Os jornalistas e a desinformação” contou com as participações de Alan Gripp, diretor de redação de O Globo, Dione Kuhn, coordenadora do Grupo de Investigação da RBS, Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL. Além da moderação de Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha de S. Paulo.
 
Para Alan Gripp, o jornalismo de O Globo amadureceu o combate à desinformação. “Aprendemos que as informações falsas ameaçam vidas. Alguns casos ajudaram a amadurecer a redação que passou da passividade para uma postura proativa”.

Ele falou que o O Globo aprimora projetos de checagem. Antigamente, havia o blog Preto no Branco que checou discursos políticos. Logo depois, surgiu o projeto “É isso mesmo?” que abarcou a checagem de notícias falsas. Em 2016, surgiu o “Fato ou Fake” que é o serviço de checagem do grupo Globo.

Já Dione relatou sobre o Grupo de Investigação da RBS, o GDI. As reportagens da equipe resultaram em 25 investigações policiais e do Ministério Público e 65 denúncias do Ministério Público do Rio Grande do Sul e do Ministério Público Federal. 

“O grupo investe em investigação própria, checagem dos fatos e a verdade nos detalhes”.

Já Murilo trouxe os números do UOL Confere que realizou, desde 2017, mais de 500 reportagens com checagens de fatos, sendo que 22 delas tiveram mais de 100 mil acessos. 

“O importante é a visibilidade da checagem. Além disso, o processo precisa ser mais rápido e está no noticiário. Nós precisamos ajudar a conscientizar as pessoas para não acreditar em tudo que está na internet”.
Crédito:Kassia Nobre


Desinformação nas eleições
O painel “Desinformação nas eleições” contou com as participações de Angela Pimenta, diretora de Operações do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e Coordenadora do Projeto Credibilidade, Ana Cristina Rosa, assessora-chefe de comunicação do Tribunal Superior Eleitoral, e Daniel Bramatti, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) e Editor do Estadão Dados e do Estadão Verifica. Além da moderação de Patrícia Blanco. Presidente Executiva do Instituto Palavra Aberta. 

Angela relatou sobre o ecossistema da desinformação durante as eleições de 2018. 

“Houve uma produção, difusão e consumo de conteúdos digitais problemáticos, como informações falsas e maliciosas. Consequentemente, implicações negativas para a democracia, como a distorção do debate público e o declínio na crença em evidências factuais, como notícias”.

Já Daniel apresentou a metodologia do projeto Comprova, ação colaborativa entre 24 veículos brasileiros que checaram informações durante o período eleitoral do ano passado. 

“Nunca tinha acontecido um projeto colaborativo entre veículos concorrentes. No final, a colaboração funcionou muito bem e eu destaco o nível de engajamento de todos”.

Em três meses de trabalho, o Comprova realizou 146 checagens e 1.750 reportagens distribuídas em redes sociais e no aplicativo Whatsapp.
 
Segundo Daniel, o Comprova versão 2 está em andamento e realiza a checagem de conteúdo de políticas públicas do Governo Federal. 

Já Ana Cristina descreveu as ações do Tribunal Superior Eleitoral para combater a desinformação durante as eleições de 2018. Segundo ela, a instituição já prepara ações de combate às notícias falsas para o pleito de 2020. 

“A instituição se esforçou para enfrentar a disseminação maciça de conteúdo falso contra o processo eleitoral e contra as urnas eletrônicas. O total de 33 fake news foram esclarecidas”.

A assessora destacou a parceria com as agências de checagem e com as plataformas digitais Facebook e Twitter. 

“Usamos a plataforma para disseminar conteúdo do bem. O bot da Justiça Eleitoral conseguiu responder em média 130 mil questões por dia durante as eleições”.

Realização
O seminário Desinformação: antídotos e tendências aconteceu no dia 17 de outubro, em São Paulo. Ele foi organizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).