Mulheres e defensores dos direitos humanos são alvos de deepfakes, afirma Sam Gregory

Kassia Nobre | 18/10/2019 09:58
O Seminário “Desinformação: antídotos e tendências” contou com a palestra de abertura “Deepfakes: a última geração da desinformação” com o especialista em deepfakes, Sam Gregory.

Sam apresentou o trabalho desenvolvido pela Witness, organização que auxilia pessoas em diferentes lugares, inclusive no Brasil, no uso de vídeo e tecnologia para proteger e defender os direitos humanos e promover o jornalismo cívico. 

Atualmente, o grupo atua no combate ao que Sam classifica como “mídia sintética”. Ou seja, a mídia que tem a capacidade de alterar fotos e vídeos, criar uma voz realista ou um rosto de ser humano que nunca existiu e simular e manipular uma representação de voz, face e movimento de uma pessoa real. 

 “Precisamos nos preparar para a deepfake. Temos tempo para chegar às respostas. Não devemos entrar em pânico, mas devemos priorizar as ameaças”, afirma.

Segundo Sam, a mídia sintética realiza ataques de violência de gênero, com ações pornográficas que atingem mais as mulheres, e falsificação de identidade dirigida aos defensores de direitos humanos. 

“O que devemos fazer agora? É um verdadeiro jogo de gato e rato. Eles têm dados para criar falsidades realistas e nós temos outros dados que detectam a falsidade”, afirma.

Crédito:Kassia Nobre


Segundo o pesquisador, a tecnologia usada na mídia sintética está avançando com uma maior facilidade de uso, adaptabilidade, verossimilhança e velocidade. 

“O deepfake já virou um serviço e passou a ser comercializado. A produção passou de artesanal para um volume considerável”.

O pesquisador explica que é preciso considerar algumas perguntas no combate à manipulação: podemos ensinar as pessoas a identificar isso? Existem ferramentas para identificação? E quem tem acesso? O que as plataformas digitais e legisladores devem fazer? 

Realidade brasileira
Sam participou de encontros com jornalistas brasileiros e teve contato com a realidade de desinformação no país. Assim, o grupo listou as soluções prioritárias que são relevantes no contexto brasileiro:
- Alfabetização midiática mais ampla em relação a fake news, especialmente para a população vulnerável. 
- Ferramentas de detecção de deepfake baratas, acessíveis e compreensíveis. 
- Plataformas como Youtube e Whatsapp fornecerem ferramentas para detecção de manipulação de vídeos e fotos. 

Realização
O seminário Desinformação: antídotos e tendências aconteceu no dia 17 de outubro, em São Paulo. Ele foi organizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).