Jornalistas chineses terão que passar por "exame de lealdade" elaborado pelo governo

Redação Portal IMPRENSA | 09/10/2019 13:45
O Departamento Central de Propaganda do Partido Comunista Chinês informou em setembro que, a partir do final deste ano, os jornalistas do país terão que passar por um exame obrigatório de lealdade, a fim de obter ou renovar suas credenciais de imprensa. O exame será realizado através de um aplicativo para smartphone. 

Crédito:Reprodução
"Esse exame grotesco visa claramente intimidar jornalistas e fornecerá ao regime a desculpa perfeita para banir as últimas vozes críticas da mídia", disse Cédric Alviani, chefe do Escritório do Leste da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que denunciou o exame. 

Ainda de acordo com a RSF, a medida lembra a Coréia do Norte, onde os jornalistas são forçados a ser membros do Partido e existem apenas para servir a propaganda do Grande Líder. 

Um teste envolvendo 10.000 jornalistas de 14 meios estatais começará em outubro em Pequim. Os jornalistas precisam marcar pelo menos 80 dos 120 pontos para serem aprovados, e só podem refazer a prova uma vez.

Desde que assumiu em 2013, o presidente Xi Jinping colocou sob controle a mídia estatal e a privada, além de ter aumentado a censura e a vigilância na internet.

Atualmente, mais de 115 jornalistas profissionais estão detidos na China em condições de risco de vida. Atualmente o país ocupa a 177ª posição entre 180 países no ranking global da RSF de liberdade de imprensa.

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