“O Brasil não está fazendo o dever de casa na nova era de Inteligência Artificial”, afirma o pesquisador Eduardo Magrani

Kassia Nobre | 02/10/2019 16:50
O pesquisador Eduardo Magrani participou da 5ª Edição do mídia.JOR com a palestra Ética e Leis na Era dos Robôs e Inteligência Artificial (IA).

Eduardo é Ph.D e vice-presidente do Instituto Nacional de Proteção de Dados Pessoais. Atualmente, trabalha em Berlim, Alemanha. Ele conversou com o público do mídia.JOR por meio de uma videoconferência.

Segundo Eduardo, há uma corrida global para que os países consigam capacitar pessoas para se enquadrarem nesta nova era da Inteligência Artificial.

“O Brasil não está fazendo o dever de casa. Ele não tem um plano estratégico nacional, como existem em outros países”, afirmou.  

O professor falou sobre a Inteligência Artificial na perspectiva de que as máquinas não são uma ameaça, mas uma forma de aprimorar o ser humano.

“Quando a gente pensa em identificação facial usando IA, algoritmos tomando decisões para finalidades financeiras, políticas, entre outras. Algumas empresas têm esta preocupação. Mas o Estado brasileiro ainda não está apontando isso como uma necessidade para o desenvolvimento do país”, afirmou.

Segundo o professor, o conceito de IA vem da década de 50, mas o cenário evoluiu bastante atualmente.

“O objetivo agora é construir algoritmos empáticos e robôs com ambições. Alguns pesquisadores preferem o termo inteligência computacional”.  

Crédito:Gisele Sotto

Questões éticas
Segundo o pesquisador, quanto mais estudamos ética de máquinas, mais estudamos ética humana e compreendemos o ser humano em si. Magrani apresentou as nove principais questões éticas em inteligência artificial citadas no Fórum Econômico Mundial. São elas:

1. Desemprego: como lidar com a redução dos postos de trabalho?
2.Desigualdade: como distribuir a riqueza gerada pelas máquinas?
3. Humanidade: como as máquinas afetam nosso comportamento e interação?
4. Estupidez artificial: como podemos nos proteger contra erros das
máquinas?
5. Racismo robótico: como eliminamos preconceitos, discriminações e enviesamentos da inteligência artificial?
6. Segurança: como mantemos a inteligência artificial segura?
7. Gênios do mal: como nos protegemos contra consequências não-intencionais e nocivas?
8. Singularidade: como nos mantermos no controle de um sistema complexo, inteligente, consciente e autônomo?
9. Direitos robóticos: quais direitos e deveres devemos atribuir a robôs inteligentes?

Quem é o responsável?
Magrani explicou que o desenvolvimento da Inteligência Artificial está a todo vapor, porém o Direito e os processos democráticos não estão preparados para esta nova realidade.

“Não temos o parâmetro necessário para o bom desenvolvimento desta IA que pode substituir os seres humanos em diversos aspectos. Pergunto aos profissionais do Direito: ‘quem é o responsável caso a IA gere um dano?’. Os programadores podem e devem prever vulnerabilidades e danos, mas existem alguns resultados que podem ser imprevisíveis”.

Trilogia de tecnologia
Eduardo Magrani é autor da primeira trilogia de cultura digital no Brasil. "Democracia, Hiperconectividade e Ética" está disponível gratuitamente no site do autor.

mídia.JOR
Idealizado pela Revista e Portal IMPRENSA, o mídia.JOR trouxe as discussões que pautarão o futuro do jornalismo, e experiências do uso da inteligência artificial e das novas tecnologias nas redações pelo mundo. Evento aconteceu no dia 26 de setembro, no Teatro Unibes Cultural em São Paulo, e contou com o apoio da Unibes Cultural e patrocínio do Itaú Unibanco e do UOL. E o apoio de mídia da Abraji, Jeduca e Propmark.

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