“Pautas também nascem de hipóteses e o Jornalismo de Dados é uma forma de testá-las”, afirma o editor do Estadão Dados, Daniel Bramatti

Kassia Nobre | 02/10/2019 08:37
O 3º Seminário Internacional de Jornalismo reuniu profissionais com experiência no uso de dados para a construção de reportagens. O evento foi uma realização da ESPM e da Columbia Journalism School.

O painel “Jornalismo de Dados – o que há por trás das grandes reportagens” contou com as participações de Alana Rizzo, consultora na Albright Stonebridge Group e colaboradora da The Economist Inteligence Unit no Brasil, Daniel Bramatti, editor do Estadão Dados e do Estadão Verifica do jornal O Estado de S. Paulo e presidente da Abraji, Fabio Takahashi, editor do DeltaFolha – Núcleo de jornalismo de Dados da Folha de S. Paulo e vice-presidente da Jeduca.

A mediação foi de Antonio Rocha Filho, professor de jornalismo da ESPM.

Testando hipóteses
O editor do Estadão Dados afirmou que jornalismo de dados nos aproxima da ciência. “Assim como o método científico que tem fases como a observação, formulação de hipóteses e experimentação, algumas pautas também nascem de hipóteses e o jornalismo de dados é uma forma de testá-las”.

Daniel apresentou reportagens construídas por meio de base de dados no Estadão. O jornalista destacou a reportagem “Farra do Fies” que investigou os gastos do Governo Federal com o Financiamento Estudantil (FIES). O trabalho foi premiado com o Esso de jornalismo em 2015.

Segundo Daniel, as editorias que mais usam bases de dados são a de Política e Metrópole.

Já Fabio reafirmou a ideia de trabalhar com hipóteses e explicou o método de trabalho do Jornalismo de Dados na Folha de S. Paulo   

O DeltaFolha é uma editoria que transforma grandes bases de dados em produtos jornalísticos (reportagens, infográficos e especiais).

“A nossa equipe é multidisciplinar com profissionais nas áreas de biologia,ciências sociais e design. As ideias de pautas são propostas pela DeltaFolha para as editorias e para a direção ou as editorias e direção propõem pautas para a gente”, explica.

O editor do DeltaFolha destacou o trabalho do GPS ideológico, uma ferramenta que analisou o comportamento de 1,7 milhões de usuários e influenciadores políticos no Twitter.

Segundo ele, a Folha utiliza mais a base de dados nas editorias de Política, Cotidiano e Ilustrada.

Crédito:Kassia Nobre

Fiscalização do poder público  
Alana teve o seu primeiro contato com dados por meio do Portal da Transparência do Governo Federal, site com informações sobre assuntos relacionados à gestão pública do Brasil.

“Eu era um jovem repórter com poucas fontes. Foi a partir do Portal da Transparência que vi a base de dados como um potencial para grandes matérias”, explicou.

Alana percebeu que os números não são suficientes para a construção de uma matéria. É preciso contar as histórias das pessoas. “O trabalho de repórter de rua é fundamental também no jornalismo de dados. O número é diferente quando você dá cara para ele”

A jornalista destaca ainda a Lei de Acesso à Informação  (LAI) como outra ferramenta fundamental para a construção da reportagem.

“O jornalista precisa estudar e entender a Lei. É por meio dela que a gente pode fiscalizar os atos públicos”, complementou.

Seminário
O 3º Seminário Internacional de Jornalismo aconteceu no dia 01 de outubro, na sede da ESPM, em São Paulo.  

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