"Um açougueiro não corta sua carne no chão", disse carrasco de jornalista saudita

Redação Portal IMPRENSA | 01/10/2019 17:53
A Turquia entregou à ONU uma gravação de 45 minutos com diálogos que detalham o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, no Consulado da Arábia Saudita, em Istambul, na Turquia. O crime aconteceu no dia 2 de outubro de 2018 e  teria envolvido cerca de 15 agentes sauditas.
Crédito:Reuters


Khashoggi colaborava para o The Washington Post e era crítico ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. 

Ele teria ido ao consulado regularizar seus documentos para poder se casar nos Estados Unidos, onde vivia e trabalhava, mas nunca deixou o local e seus restos mortais jamais foram encontrados.

Em entrevista à BBC, a advogada britânica Helena Kennedy, que participou da investigação e ouviu a gravação, disse que os responsáveis pela morte de Khashoggi comentam, em tom de brincadeira, que “um açougueiro não corta sua carne no chão”.

“Você ouve Khashoggi passar do sentimento de confiança ao medo, depois a uma agonia crescente, ao terror e, finalmente, à certeza de que algo vai acontecer”, conta.

Principal suspeito de ter cortado o corpo em pedaços, o médico legista diz na gravação: "Costumo ouvir música ao cortar cadáveres. Às vezes, com um café e um cigarro na mão". 

"Você os ouve rir, é arrepiante", contou a advogada.

Segundo Agnès Callamard, relatora especial da ONU, que também teve acesso à gravação, Khashoggi chega a perguntar a seus carrascos: "Vocês vão me dar uma injeção?"

"O que ouvimos depois mostra que ele está sendo sufocado, provavelmente com um saco plástico na cabeça", acrescentou ela. 

A sequência da conversa, segundo Callamard, dá a entender que o jornalista foi decapitado.

Na tentativa de restaurar sua imagem, o reino saudita levou 11 suspeitos à Justiça. Cinco deles podem ser sentenciados à morte.

Para lembrar um ano do assassinato de Khashoggi, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) espalhou nesta terça-feira (1°) vários manequins desmembrados em frente do consulado saudita em Paris, exigindo que as circunstâncias do crime sejam esclarecidas.