Ideia de que imprensa é inimiga do povo deve ser combatida, diz repórter da CNN

Redação Portal IMPRENSA | 01/10/2019 15:38
Após bate-boca com o presidente dos EUA, durante entrevista coletiva em novembro de 2018, Jim Acosta, repórter de política da CNN, chegou a ter suas credenciais pedidas por Donald Trump.

Crédito: Mandel Ngan - 16.nov.18/AFP
O homem mais poderoso do mundo almejava impedir a entrada do jornalista na Casa Branca. A medida acabou barrada na Justiça americana, gerando muita discussão sobre liberdade de imprensa e o nível das críticas do governo Trump ao trabalho da imprensa.

Lançando "O inimigo do povo", livro com essa e outras histórias dos bastidores da cobertura da atual gestão americana, Acosta conversou recentemente com o jornal Folha de São Paulo.

Antes de falar sobre as semelhanças entre os ataques de Trump e de Bolsonaro à imprensa, ele explicou que o livro foi batizado de "O inimigo do povo" em referência à expressão usada para criticar jornalistas.

"Gostaria que o leitor refletisse se é apropriado o presidente dos EUA se referir à imprensa como 'inimiga do povo'", disse Acosta. Ele lembrou que nos últimos três anos a hostilidade direcionada à imprensa pelo presidente tem sido absorvida por um número cada vez maior de seus apoiadores, que a redirecionam à imprensa "de uma maneira ameaçadora".

Além de citar as inúmeras ameaças de morte que ele e colegas têm sofrido, Acosta disse à Folha que líderes ao redor do mundo estão tentando imitar Donald Trump no modo de lidar com a imprensa. Bolsonaro, ele prossegue, é o exemplo máximo dessa teoria.

"Creio que não há dúvidas que isso traz um efeito negativo para o debate político", analisa o jornalista, lembrando que políticos ultranacionalistas e ultraconservadores atacam a imprensa para ganhos eleitorais.

Acosta lembra que a orientação do governo Trump de atacar a imprensa veio originalmente do ex-assessor Steve Bannon, hoje rompido com o presidente.

"Mas a imprensa não é oposição, a imprensa existe para fazer um trabalho. Estamos aqui para mantê-los sob pressão, para responsabilizá-los, para obrigá-los a dizer a verdade. Fica claro que o presidente Trump não gosta de ser questionado ", diz o jornalista da CNN.


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