“O principal desafio das redações brasileiras é transformar uma empresa de mídia em uma empresa de tecnologia” diz Caio Túlio

Kassia Nobre | 30/09/2019 11:12
O mídia.JOR debateu sobre a importância da Inteligência Artificial para aumentar as receitas nas redações.  

O painel “O algoritmo financeiro” contou com as participações de Caio Tulio, CEO da Torabit, Beatriz Aryosa, cofundadora da Becabiz e diretora da ABRADI, Marcelo Trindade, sócio Neuromath IA e Eng. De machine learning na Gazeta do Povo, e Felipe Grantham, especialista em marketing digital na Gazeta do Povo.

A mediação foi realizada pelo curador do mídia.JOR, Lúcio Mesquita. 
Crédito:Gisele Sotto




Lúcio explicou a importância do tema financeiro para o jornalismo. “Um dos grandes problemas das redações foi sempre a atitude do jornalista em falar ‘dinheiro não é comigo’. Não há dúvida nenhuma que você precisa manter uma independência editorial, mas é importante todos nós entendermos que o jornalismo só existe se alguém pagar por ele”, afirmou.  

O mediador começou com uma provocação para os participantes do painel: como um empresário de comunicação pode aumentar suas receitas por meio das novas ferramentas de tecnologia?

Caio Tulio afirmou que o principal desafio das redações brasileiras é transformar uma empresa de mídia em uma empresa de tecnologia. “Tem que haver uma mudança cultural pelos responsáveis das empresas de mídias. É preciso produzir um novo modelo de negócio capaz de sustentar as redações no tamanho e na qualidade que elas tinham antigamente”.

Ou seja, com a queda da publicidade e da assinatura, os meios de comunicação precisam virar uma empresa de tecnologia e desenvolver novas expertises. 
 
“Você só vai conseguir a receita necessária para produzir um jornalismo de qualidade se tiver uma terceira fonte de receita, porque a da assinatura está minguada e a da publicidade foi pulverizada pelas plataformas digitais. É preciso desenvolver novas expertises e isso se faz com tecnologia e com inteligência artificial”, complementou.  

Em sua apresentação, Beatriz explicou que a área em que atua tem o objetivo de transformar clientes em fãs através de ciências de dados. “O grande truque é entender o que o consumidor quer e como eu facilito o acesso dele ao que ele quer na minha empresa. Assim, a gente precisa olhar para a experiência do consumidor. É isso que fará o consumidor ser fiel a minha marca e até pagar para assiná-la”.   

Ela ressaltou também a importância das empresas de comunicação e de tecnologia prestarem um serviço para a sociedade. “Como é que a gente usa a tecnologia em favor de alguma coisa que seja útil para o ser humano? Como é que distribuo conteúdo de uma maneira inteligente? Essas são as perguntas que devemos fazer como empresa”, afirmou.  

O case Gazeta do Povo 
Marcelo e Felipe apresentaram o case “Marchine Learning para aumento da conversão”. Logo após o vídeo-case  do Twipe sobre o “James, o mordomo digital” do The Times que também atua no “churn”, retenção de assinantes.

A partir de ações de jornalismo, marketing e inteligência artificial, a Gazeta do Povo aumentou em 152% a média de conversão de assinantes. 

Marcelo explicou que teve um momento em que a Gazeta do Povo percebeu que precisava deixar o impresso e investir no digital.

“Isso foi a primeira revolução lá dentro. Mudou tudo. Com um novo posicionamento, houve uma mudança no perfil dos profissionais. O jornal precisava de pessoal qualificado para tratar com dados. Foi então que aconteceu a contratação de um matemático para trabalhar neste novo modelo”, disse.

Felipe ressaltou que a Gazeta do Povo passou a pensar como uma empresa de tecnologia no departamento de marketing.  

“O jornalismo pode trabalhar junto com a inteligência artificial para o entendimento da jornada do leitor. Cada leitor tem um comportamento diferente no site. Precisamos desenhar uma estratégia para cada perfil”, explicou.  

mídia.JOR
Idealizado pela Revista e Portal IMPRENSA, o mídia.JOR trouxe as discussões que pautarão o futuro do jornalismo, e experiências do uso da inteligência artificial e das novas tecnologias nas redações pelo mundo. Evento aconteceu no dia 26 de setembro, no Teatro Unibes Cultural em São Paulo, e contou com o apoio da Unibes Cultural e patrocínio do Itaú Unibanco e do UOL. E o apoio de mídia da Abraji, Jeduca e Propmark. 

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