Financial Times lança documentário sobre desmatamento na Amazônia

Leandro Haberli | 30/09/2019 08:53
Produzido pelo Financial Times (FT), o documentário How crime drives deforestation in Brazil's Amazon (Como o crime impulsiona o desmatamento na Amazônia brasileira, em tradução livre) mostra que o desmatamento na Amazônia brasileira é um negócio lucrativo, impulsionado por redes criminosas que ameaçam e atacam funcionários do governo, defensores florestais e povos indígenas que tentam impedi-los. 

No vídeo, o  autor do novo relatório da Human Rights Watch, Cesar Muñoz Acebes, argumenta que o fracasso do Brasil em policiar gangues ameaça sua capacidade de cumprir seus compromissos sob o acordo climático de Paris - como eliminar o desmatamento ilegal até 2030.
Crédito:Reprodução
"Enquanto você tiver esse nível de violência, ilegalidade e impunidade pelos crimes cometidos por esses grupos criminosos, será impossível para o Brasil controlar o desmatamento", dz.

Publicado uma semana antes da Cúpula da Ação Climtática da ONU,  o relatório documenta 28 assassinatos nos quais encontrou evidências de que "os responsáveis estavam envolvidos no desmatamento ilegal e viam suas vítimas como obstáculos".

Com 17 minutos de duração, autoridades e ambientalistas falam sobre como o relatório ecoou suas experiências de trabalho na Amazônia.

"Falta gente, falta de recursos, logística e falta de vontade", disse Antonio de Oliveira, policial federal aposentado anteriormente destacado para a agência indígena Funai. 

Ele recebeu várias ameaças de morte e foi atacado por madeireiros durante uma operação, quando um oficial da agência ambiental sentado ao lado dele foi atingido no braço. Ninguém foi preso.

Paulo Bonavigo, presidente da Ecoporé, um grupo sem fins lucrativos de Rondônia que trabalha em projetos florestais sustentáveis, disse que os madeireiros operam livremente em uma área protegida que seu grupo monitora. “Existem vigias, há uma rede de rádio. Esses caras estão organizados ”, ele disse.

Falando anonimamente porque as autoridades das agências ambientais estão proibidas de falar com a mídia, um funcionário do Instituto Chico Mendes, que trabalhou no estado do Pará, disse que os homens que trabalham no desmatamento ilegal e mineração na floresta são mal remunerados, mal educados e explorados por chefes ricos. "O desmatamento não é exatamente trabalho escravo, mas não está longe."

Bolsonaro prometeu "tolerância zero" a crimes ambientais, mas ele e seus ministros consideraram a preocupação internacional com a Amazônia um ataque à soberania brasileira, descartaram dados oficiais do governo como mentiras e disseram que combaterão o desmatamento através do desenvolvimento da Amazônia.

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