Focado em política, Vortex Media estreia em outubro com equipe de 23 jornalistas

Leandro Haberli | 23/09/2019 10:46
Uma startup de jornalismo e tecnologia. É assim que o jornalista Diego Escosteguy define o Vortex Media, projeto que será tocado a partir de Brasília e São Paulo, e vai estrear em outubro com o objetivo de fazer "jornalismo em movimento". 
Crédito:Divulgação

A princípio o Vortex não terá sede própria. Com dois coworkings à disposição, a equipe estreia com 29 pessoas, sendo 23 jornalistas, divididos em três editorias: política, justiça e dados. "Todas as pessoas que trabalharem conosco terão um pedaço do Vortex. Isso é diferente de ter participação nos lucros", ressalta Diego. 

O projeto começou a ganhar vida quando o jornalista deixou o cargo de editor-executivo do Info Globo em agosto de 2018, após atuar na integração do Extra, Época e O Globo. "O Vortex é um sonho antigo de fazer jornalismo sério, com interesse público e adaptado ao mundo", diz Diego, que visitou várias empresas de mídia nos EUA e na Europa para definir o modelo da nova plataforma de notícias.  

"Antes vendia-se anúncio. Hoje é preciso vender jornalismo. Isso muda de forma radical a cultura e os processos de uma empresa jornalística", compara. 

Sem aceitar anúncios de órgãos públicos e baseado em cobrança de assinaturas, o negócio usará ferramentas avançadas para conquistar o público, incluindo inteligência artificial e machine learning. Essas tecnologias serão usadas, por exemplo, para identificar os diferentes perfis de leitores e oferecer-lhes pacotes customizados de assinatura. "Nosso foco é conquistar assinantes de longo prazo", diz o jornalista, que não revelou a meta de faturamento da startup.     

Enfatizando que os jornalistas precisam reconhecer a perda do "monopólio da fala" - já que hoje políticos, empresas e instituições falam diretamente com seus públicos pela internet -, Diego ao mesmo tempo defende que existe mercado para jornalismo de alta qualidade. "Sim, é possível fazer jornalismo sério sem perrengues."


Mas isso, ele diz, exige envolver o leitor. "Não estamos no Olimpo. O leitor não é passível. Não somos donos da verdade. O que publicamos pode estar errado. Críticas dos leitores enriquecem o jornalismo." Também é preciso, ele defende, construir o significado da notícia junto com o leitor. "É comum o leitor compartilhar a notícia de forma positiva ou negativa. Mas o jornalismo precisa construir o significado da notícia. Nosso modelo busca atacar essa questão", conclui Diego.


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