Correspondente do New York Times dá dicas de cobertura de inteligência artificial

Leandro Haberli | 16/09/2019 11:33
Baseado em São Francisco, Cade Metz é correspondente de tecnologia do jornal New York Times, cobrindo temas como inteligência artificial, carros autônomos e realidade virtual. Ele também traz no currículo uma bem sucedida passagem como redator e editor sênior da revista Wired, espécie de bíblia do jornalismo mundial de tecnologia, ciência, design e negócios.

Em entrevista concedida de São Francisco por telefone ao Portal IMPRENSA, Metz falou sobre os riscos do uso da inteligência artificial na produção e distribuição de notícias falsas, deu dicas para jornalistas brasileiros interessados em se especializar em inteligência artificial, além de falar sobre como as recentes mudanças do setor afetam a cobertura da imprensa.  
Crédito:Reprodução YouTube
"Inteligência artificial não substituirá a figura dos jornalistas", diz Cade Metz, do New York Times

Começando pelos riscos, Metz ressaltou que ainda é necessário ter algumas habilidades específicas para a produção de imagens e vídeos falsos ou fora de contexto. "Entretanto, com o avanço tecnológico, a tendência é que a grande maioria das pessoas seja capaz de criar conteúdos visuais falsos ou até mesmo um deep fake", diz o especialista, em referência a vídeos adulterados para fins de manipulação da opinião pública.   

Falando sobre os aspectos positivos da inteligência artificial, Cade Metz lembra que uma das áreas mais promissoras para essa tecnologia é a de tradução de idiomas. "A habilidade das máquinas de entender diferentes línguas ainda apresenta falhas, mas a tendência é que esses sistemas evoluam rapidamente, ajudando as pessoas a dialogar e criando um mercado importante", prevê.

No caso da realidade virtual, Metz explica que, além de seu crescente uso pelos desenvolvedores de games, numa tendência que a médio prazo promete revolucionar a indústria de entretenimento digital, essa tecnologia vem se revelando auspiciosa na área médica, especialmente em tratamentos de pacientes que sofrem de estresse pós-traumático, como são chamados os distúrbios caracterizados pela dificuldade em se recuperar depois de vivenciar ou testemunhar um acontecimento assustador. 

"Outra dica que dou aos jornalistas brasileiros interessados em inteligência artificial é ficar atento às possibilidades de seu uso na agricultura. Elas são enormes e vão desde caminhões a sistemas de fertilização e aplicação de pesticidas autônomos", exemplifica Metz, lembrando que a área de carros autônomos também é uma das vedetes do setor de inteligência artificial, atraindo cada vez mais investimentos.  

Perguntado sobre as possibilidades do uso da inteligência artificial no jornalismo (tema do mídia.JOR, evento que será realizado pela Revista e Portal IMPRENSA no dia 26 de setembro, na Unibes Cultural, em São Paulo), Metz confessou não ter muitas informações a respeito, limitando-se a dizer que, por mais que os sistemas evoluam, eles nunca substituirão a figura do jornalista.