Ato em defesa da liberdade de imprensa lota Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP

Leandro Haberli | 10/09/2019 10:01
O Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP,  no centro de São Paulo, ficou pequeno para o público que compareceu nesta segunda, 9, ao ato em defesa da democracia, da imprensa e da liberdade de expressão no Brasil. 

Mediado pelos jornalistas Juca Kfouri e Claudia Tavares, o encontro foi organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Instituto Vladimir Herzog e centros acadêmicos da USP Lupe Cotrim, Vladimir Herzog e 11 de Agosto.
Crédito: Leandro Haberli

A ideia de realizar o ato pela liberdade de expressão foi impulsionada pelas ameaças recebidas pelos jornalistas do Intercept em virtude da publicação de reportagens sobre mensagens vazadas entre procuradores da Lava Jato. Conhecida como Vaza Jato, a investigação jornalística vem sendo realizada por outros veículos e colocou a operação Lava Jato sob suspeita de abusos e uso eleitoral.

Além de jornalistas, músicos, sindicalistas e representantes de movimentos populares, compareceram ao evento figuras públicas, como o petista Fernando Haddad, o ex-chanceler Celso Laffer, o escritor angolano Valter Hugo Mãe, o vereador por São Paulo Eduardo Suplicy e o  advogado e jornalista Edison Lanza, relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos). 

Um dos discursos mais aguardados da noite foi a do jornalista Reinaldo Azevedo. Temendo ser vaiado por suas posições conservadoras, ele acabou aplaudido ao afirmar que sua presença no ato tinha o objetivo de "celebrar a divergência de opinião". 

Outro discurso marcante foi do jornalista Eugênio Bucci.  Professor titular da Escola de Comunicação e Artes da USP, ele lembrou que a Constituição de 88 nasceu porque o país não queria mais censura, tortura e ditadura. "Este presidente que está aí atenta contra a Constituição todos os dias, quando faz apologia da tortura e da morte, quando elogia o torturador Carlos Alberto Ustra", disse Bucci.

O último pronunciamento da noite foi feito pelo fundador do Intercept, Glenn Greenwald. Além de ressaltar a importância do jornalismo no combate à corrupção do judiciário, ele emocionou o público ao contar detalhes do assassinato no ano passado da vereadora carioca Marielle Franco, e de como o episódio tem encorajado todos da equipe do Intercept no enfrentamento às ameaças decorrentes da Vaza Jato.