Busca de imagem reversa ajuda na identificação de boato sobre a Bienal do Livro

Redação Portal IMPRENSA | 09/09/2019 12:36
Técnica indicada para verificação de conteúdo visual, a busca de imagem reversa foi usada pelo Estadão Verifica (braço de checagem de fatos e combate à desinformação do jornal O Estado de São Paulo) para conferir a veracidade de publicações difundidas nas redes sociais este fim de semana contendo imagens de páginas do livro “As Gémeas Marotas”.

Com cenas de personagens infantis em posições que simulariam atos sexuais, as publicações foram usadas para justificar a censura a obras de teor LGBT movida pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro. 
Crédito:Reprodução Instagram
Segundo os boatos, a obra "As Gémeas Marotas", que é satírica e voltada para o público adulto, estava à venda no evento literário do Rio. Na verdade as imagens foram retiradas de contexto. O livro não foi vendido na Bienal do Rio.

O Estadão Verifica detectou que as imagens já serviram a estratégias de desinformação em outras ocasiões. Recentemente um boato de que o livro estaria sendo vendido para crianças na Argentina levou o site peruano La Republica a uma investigação. 

Escrito por “Brick Duna”, autor que parodia a obra do escritor holandês Dick Bruna (morto em 2017, e criador da coelhinha Miffy, personagem de histórias infantis), o livro foi publicado em 2012.

As imagens associando a obra à Bienal do Rio passaram a circular após o evento ter se tornado alvo de tentativa de censura pela gestão Marcelo Crivella, em virtude de um gibi em que dois personagens masculinos se beijam.

Alegando que a obra viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a prefeitura ordenou a apreensão de obras que não estivessem guardadas em embalagens que alertassem para conteúdo “impróprio ou inadequado”.

Neste domingo, 8, a disputa judicial sobre o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal. O presidente do STF, Dias Toffoli, derrubou a censura, sendo seguido pelo ministro Gilmar Mendes. Ao recorrer da decisão, advogados a serviço de Crivella teriam usado as imagens do livro "As Gémeas Marotas" fora de contexto.