Pesquisa revela os novos arranjos de trabalho dos jornalistas fora das grandes empresas de comunicação

Kassia Nobre | 03/09/2019 14:08
O Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (ECA - USP) divulgou os resultados do estudo “As relações de comunicação e as condições de produção no trabalho de jornalistas em arranjos econômicos alternativos às corporações de mídias”.

O assunto foi debatido no IV Fórum Comunicação e Trabalho, durante o 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2019), que acontece até o dia 7 de setembro na UFPA. 

Na fase exploratória do estudo com jornalistas da Região Metropolitana de São Paulo, foram mapeados 70 novos arranjos de trabalho. Agora, os estudos serão ampliados para as outras regiões do Brasil. 

Segundo a organizadora da pesquisa, Roseli Figaro, a pesquisa é resultado de outro estudo realizado em 2013 sobre o trabalho do jornalista em São Paulo. 

“O que nós verificamos é que havia uma precarização do trabalho muito profunda nas empresas. Nós mostramos que na primeira década dos anos 2000, houve o número muito grande de demissões de jornalistas. Os jornalistas mais experientes estavam saindo da grande imprensa para abrir seus próprios negócios e os mais jovens não conseguiam um emprego de qualidade e fizeram o mesmo”, explica Roseli. 
Crédito:Jornal do Campus USP/Internet


Facilidade pela tecnologia
A pesquisa revelou que as novas relações de trabalho no campo jornalístico foram facilitadas pela tecnologia. Assim, surgiram novas formas de sustentação.
 
“Todas elas primam pela criatividade em buscar este sustento do seu meio de comunicação e da sua própria vida. De diferentes formas. Desde crowdfunding, financiamento coletivo, até um pedido de apoio diretamente para o leitor. Além da realização de eventos e cursos", complementa. 
 
Diversidade da pauta
A pesquisa informou ainda que os novos profissionais buscam um ponto de vista diferente daquele encontrado na mídia tradicional. “Isso que nos encantou porque mesmo com toda a dificuldade que eles enfrentam o que eles dizem querer fazer é jornalismo de qualidade. É um jornalismo comprometido com a sociedade, comprometido com outras vozes que não aparecem e que não tem pauta na grande mídia. O jornalismo que não esteja comprometido com o financiamento de publicidade e com a lógica do mercado”, afirma.  

Fundo público de investimento 
A pesquisadora explica que a conclusão do estudo foi a reivindicação por um fundo público proveniente de recursos dos grandes conglomerados atuais de internet, como Google e Facebook, para as mídias alternativas e independentes. 

“Se hoje a informação é a mercadoria mais importante, nada mais justo que estas empresas se comprometam com os países na formação de um fundo para financiar as mídias alternativa e independente. Ou seja, a mídia pela democracia”, explica. 
 
Os resultados da pesquisa estão publicados no livro “As relações de comunicação e as condições de produção no trabalho de jornalistas em arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia”, que pode ser baixado gratuitamente aqui. 

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