Mensagens indicam que procuradores da Lava Jato vazaram informações à imprensa para manipular investigações

Redação Portal IMPRENSA | 30/08/2019 14:21
Nova reportagem publicada pelo Intercept nesta quinta, 29, indica que procuradores da operação Lava Jato vazaram informações à imprensa para manipular investigações e pressionar suspeitos a fazerem acordos de delação premiada. 

Coordenador da investigação em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol teria compartilhado informações privilegiadas com 1 jornalista do Estadão em 21 de junho de 2015, sobre ajuda dos Estados Unidos na investigação de Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da Odebrecht 
Crédito: Reprodução TVT
Glenn Greenwald concede entrevista a Juca Kfouri e aborda vazamentos à imprensa na operação Lava Jato

Após obter um retorno positivo de seu contato no Estadão, Dallagnol teria dito: “Amanhã cooperação com EUA pro Bernardo é manchete do Estadão. Confirmado”.

Em entrevista à BBC em 2017, Dallagnol negou que integrantes da força-tarefa da Lava Jato fizessem vazamentos à imprensa. Ele disse que “nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram”.

Em nota enviada ao The Intercept, a assessoria da Lava Jato afirmou que o diálogo de Dallagnol com jornalista do Estadão não pode ser considerado vazamento porque as informações passadas não eram ilegais nem violavam ordem judicial.

Globo e SBT
Em entrevista a Juca Kfouri, no programa Entre Vistas, da TVT, o editor do Intercept, Glenn Greenwald, comentou os vazamentos de informações à imprensa pela Lava Jato. Segundo ele, o Jornal Nacional recebia muitos vazamentos da Lava Jato e a Globo lucrou muito sem fazer jornalismo. 

“A grande mídia estava aliada com Moro nos últimos cinco anos. Não só pela ideologia, mas também porque o modelo de lucro da mídia brasileira era de receber vazamentos sem gastar nada, sem fazer investigação”, afirmou. 

Em parceria com a Folha de S.Paulo, o Intercept também publicou reportagem sobre suposta proteção da Lava Jato ao SBT, do Grupo Silvio Santos. A empresa teria sido citada em delação do operador financeiro Adir Assad, que afirmou ter lavado milhões de reais para o grupo, por meio de patrocínios esportivos. A delação não teria sido alvo da Lava Jato.