"A recuperação judicial é muito benéfica para a empresa", diz Paulo Zocchi, presidente do SJSP, sobre acordo com demitidos da Abril

Leandro Haberli | 28/08/2019 18:47
O plano de recuperação judicial do Grupo Abril foi aprovado nesta terça, 27 de agosto, em assembleia geral de credores. Mais de 90% dos credores presentes pessoalmente ou por meio de procuração votaram pela aprovação. O plano prevê a data de 16 de fevereiro de 2020 como prazo final para o pagamento dos créditos de todos os trabalhadores demitidos com até R$ 350 mil a receber. As verbas rescisórias acima de R$ 250 mil terão deságio. No caso de créditos a receber com valores que ultrapassem R$ 350 mil, o ressarcimento será de apenas 8%, parcelado em 18 anos. 

"A data de 16 de fevereiro de 2020 fixou um horizonte para que os trabalhadores garantam o recebimento das verbas rescisórias a que têm direito. Mas o resultado final não é totalmente satisfatório. A recuperação judicial gera uma situação muito benéfica para a empresa, que fica praticamente isenta de ser executada", diz Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), que participou da árdua negociação entre os funcionários e freelancers desligados da Abril e o novo dono da empresa, o advogado Fábio Carvalho. 
Crédito:Reprodução Facebook
Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Para saldar as dívidas, o Grupo Abril prevê a venda de três ativos da empresa: o imóvel onde está a sede da companhia, na Marginal Tietê, imóveis localizados em Campos do Jordão e a unidade Exame, que produz a revista, o site e o aplicativo da marca.

O SJSP participou da assembleia geral de credores representando 248 jornalistas, incluindo freelancers e 183 ex-funcionários. De acordo com o plano aprovado, os freelancers começam a receber somente após a confirmação da homologação judicial da aprovação do plano, que pode demorar se houver recurso judicial para a segunda instância (Tribunal de Justiça de São Paulo) de qualquer credor.

Zocchi explica que a proposta apresentada para os freelancers não evoluiu o suficiente para que houvesse um acordo. “O Sindicato representou 65 freelancers e declarou à assembleia de credores que, se a empresa aceitasse a emenda que poderia lhes favorecer, haveria um voto favorável em bloco. Houve até interrupção para uma negociação entre as partes. Mas, como a negociação na assembleia não evoluiu, o voto foi de abstenção”, declarou Zocchi.