Aliados de Trump criam rede para investigar jornalistas considerados hostis

Redação Portal IMPRENSA | 26/08/2019 14:32
Uma rede de agentes conservadores aliada à Casa Branca iniciou uma operação agressiva para desacreditar os veículos de imprensa considerados hostis ao presidente Trump, ao divulgar informações prejudiciais sobre os jornalistas.
Crédito:Samuel Corum para o New York Times
A operação compilou dossiês de mensagens de mídia social potencialmente embaraçosas e outras declarações públicas de centenas de pessoas que trabalham em importantes veículos de imprensa

A operação compilou dossiês com posts do Twitter, Facebook e Instagram e outras declarações públicas embaraçosas de centenas de jornalistas. As imagens das postagens foram armazenadas e podem ser divulgadas mesmo que os usuários as excluam.

Segundo reportagem publicada pelos jornalistas por Kenneth P. Vogel e Jeremy W. Peters, no The New York Times, o grupo já divulgou informações sobre jornalistas na CNN, The Washington Post e The New York Times.

A assessoria de imprensa da Casa Branca disse que nem o presidente nem ninguém na Casa Branca estava envolvido ou ciente da operação, e que nem a Casa Branca nem o Comitê Nacional Republicano participaram de seu financiamento.

A operação surgiu aparentemente em resposta a dois artigos do The New York Times que enfureceram os aliados de Trump. Em editorial, na quarta-feira (21/08), o jornal acusa Trump de fomentar o antissemitismo. Na quinta-feira (22/08), foi publicado um perfil de Grisham, a nova secretária de imprensa da Casa Branca, que incluía detalhes nada lisonjeiros sobre seu histórico profissional.

Um dos alvos da rede é, inclusive, o editor político do NYT, que teve tweets expostos, na época que ainda estava na faculdade, que ridicularizavam judeus, nativos americanos e amish. A história apareceu pela primeira vez no Breitbart News, em seguida, se espalhou rapidamente quando Donald Trump Jr. twittou para seus 3,8 milhões de seguidores.

Em um comunicado, a editora do The New York Times, AG Sulzberger, disse: “Eles estão tentando hostilizar e constranger qualquer pessoa afiliada com as principais organizações de notícias que estão fazendo perguntas difíceis e trazendo verdades incômodas à luz. O objetivo desta campanha é claramente intimidar os jornalistas de fazer o seu trabalho. O Times não será intimidado ou silenciado”, escreveu.

A CNN disse, em comunicado, que quando funcionários do governo "e aqueles que trabalham em seu nome ameaçam e retaliam os repórteres como um meio de supressão, é um claro abandono da democracia por algo muito perigoso".

Trump tem procurado implacavelmente diminuir a credibilidade das organizações de notícias e defini-las como opositores politicamente motivados.


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