Jornalistas discutem cobertura de educação no governo Bolsonaro

Leandro Haberli | 20/08/2019 15:15
A fim de discutir o trabalho da imprensa na cobertura das políticas de educação do governo Bolsonaro, o 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação trouxe em seu segundo e último dia a mesa "Governo x jornalismo: a cobertura do MEC". Realizado nos dias 19 e 20 de agosto, no Colégio Rio Branco, em São Paulo, o evento é organizado pela Associação dos Jornalistas de Educação (Jeduca), que é presidida por Antônio Gois,  

Repórter de educação desde 2000 e colunista do Estadão, Renata Cafardo foi a mediadora da mesa sobre cobertura de educação no governo Bolsonaro. Ela abriu a conversa afirmando que os seis primeiros meses do governo foram muito difíceis para os jornalistas de educação. "As notícias não paravam de chegar, praticamente o dia todo, inclusive de madrugada", diz Cafardo, também autora do livro "O roubo do Enem". 
Crédito:Reprodução Jeduca
O presidente do Jeduca, Antônio Gois, na abertura do 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação


Responsável por uma das reportagens que abalaram o então ministro Ricardo Vélez, Cafardo lembrou a forma como ficou sabendo que o MEC havia mandado uma carta para escolas do país determinando que elas filmassem seus alunos cantando o hino nacional e dizendo o slogan da campanha eleitoral de Bolsonaro. "A diretora da escola da minha filha me ligou contando que tinha recebido a tal carta. Eu disse que deveria ser fake news, para ela não se preocupar. Mas quando falei com o pessoal de checagem do Estadão, eles disseram que a carta tinha saído mesmo do MEC", diz a repórter. 

Escrevendo sobre macroeconomia e educação no Valor, Hugo Passarelli disse que cobriu o caso do hino nas escolas, e acrescentou que, durante as apurações, acabou sendo responsável por informar o assessor do ministro de que é proibido no Brasil filmar alunos em escolas sem autorização dos pais. Além desse episódio, Passarelli citou o caso de um edital de livros didáticos "cheio de problemas" e classificou como "chocante" o "alto grau de improvisação"  visto no MEC no início do governo Bolsonaro. "Com o Weintraub diminuiu a improvisação", avalia Passarelli, em referência ao sucessor de Vélez como ministro da educação de Bolsonaro.  

Repórter da revista Crusoé há cerca de um ano, Caio Junqueira participou da mesa levando sua experiência como coordenador de política do Estadão em Brasília por 5 anos. Ele lembrou que o MEC é estratégico para o projeto político de Bolsonaro. "Hoje o Weintraub é um ator político essencial para entender esse governo ", disse. 

Também colunista do Estadão e comentarista do telejornal GloboNews Em Pauta, Eliane Cantanhêde contou sobre o episódio em que noticiou em primeira mão a queda do então ministro Ricardo Vélez. "O mundo caiu na minha cabeça. O próprio Bolsonaro postou no Twitter que aquilo era uma fake news",  diz Eliane. "Eu estava muito segura daquela  informação. Por isso não perdi nenhum minuto do meu sono. Alguns dias depois Vélez caiu mesmo. Ficou claro que quem espalha fake news é o presidente", afirma Eliane, que foi colunista da Folha de São Paulo por 17 anos.