“Tem um número significativo de jornalistas interessados na cobertura da educação”, afirma Antônio Gois, presidente da Jeduca

Kassia Nobre | 20/08/2019 09:33
Quem é o jornalista que cobre educação no Brasil? A Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) apresentou o perfil deste profissional durante o 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação. 

Para o presidente da Jeduca, Antônio Gois, existe um número significativo de jornalistas trabalhando na área. “São jornalistas produzindo conteúdo em redações ou em organizações do terceiro setor. Eles estão produzindo conteúdo jornalístico que é lido por um público amplo. Tem um número significativo de jornalistas interessados nisso”, afirma.  

Crédito:Divulgação/Jeduca


A professora universitária e pesquisadora, Juliana Doretto, foi a responsável pela análise dos dados dos filiados à Jeduca.  

“A pesquisa é bastante representativa no cenário nacional. O que a gente percebeu é que os dados refletem bastante o cenário observado no jornalismo brasileiro como todo. Ou seja, uma predominância de mulheres, uma renda até sete salários mínimos e um profissional com especialização”, explica.

O que chamou a atenção na Jeduca é o predomínio ainda maior das mulheres. “A gente vê que a educação, assim como outros temas relacionados à infância e adolescência, é uma área da mulher”, complementa Juliana. As mulheres representam 68,8% na cobertura da educação. 

A pesquisadora ressalta ainda que os profissionais gostam e são especializados no tema da educação. 

Migração 
A pesquisa mostrou também que os profissionais da educação estão migrando das redações das grandes mídias para outras plataformas. “Eles estão em mídias tradicionais como jornais, rádios e Tvs, mas não estão só aí. Eles também estão em outras plataformas. Assim como assessores de imprensa, mas que também produzem conteúdo para o público”, conta Juliana. 

Oportunidades 
A Jeduca concluiu que o cenário da pesquisa é um espelho das condições de trabalho do jornalista no país. Segundo o presidente da instituição, é possível amenizar algumas dificuldades por meio de ações pontuais. 
 
"Algumas coisas a gente da Jeduca tenta amenizar e outras são muito maiores do que a gente. Como por exemplo, a questão de remuneração que aparece muito na pesquisa. A gente pode atuar com formação e apoio", relata Gois. 

Pensando nisso, a Jeduca criou um banco de fontes colaborativo, onde o jornalista associado à Jeduca pode compartilhar fontes com seus colegas. Além disso, a associação irá disponibilizar bolsas para a cobertura de pautas no setor. 

"A gente vai lançar ainda um edital com formato de bolsas. O jornalista vai apresentar uma pauta, uma comissão julgadora vai avaliar esta pauta e as melhores pautas terão financiamento da Jeduca", explica.