Assassinato de jornalista eslovaco pode estar ligado a rota de tráfico de cocaína criada por máfia italiana

Redação Portal IMPRENSA | 13/08/2019 11:05
Consórcio de jornalistas, mídia e investigação fundado em 2006, o  Projeto de Reportagem Sobre Crime Organizado e Corrupção (OCCRP, na sigla em inglês) publicou em seu site a reportagem "The Cocaine Cowboys), de Cecilia Anesi, Luca Rinaldi, Giulio Rubino e Lorenzo Bagnoli. Rica em documentos e detalhes, a longa investigação revela o dia a dia de membros da máfia italiana que eram o alvo das investigações do jornalista eslovaco Jan Kruciak, assassinado por motivos ligados a sua atuação profissional, junto com sua noiva, em fevereiro de 2018, aos 27 anos.
Crédito:Reprodução OCCRP
Investigação revela conexões entre assassinato de jornalista eslovaco e rota de tráfico de cocaína criada por máfia italiana

Antes de ser morto, Kruciak investigava denúncias de corrupção envolvendo autoridades locais e o crime organizado italiano, história que acabou derrubando o governo de seu país. No último mês de fevereiro, um ano após o assassinato a tiros do casal, milhares de pessoas se reuniram na capital Bratislava e em manifestações realizadas em toda a Eslováquia em memória dos mortos e em defesa da democracia e da liberdade de expressão no país - Kruciak foi o primeiro jornalista assassinado na história da Eslováquia. 

A reportagem do OCCRP tem como personagem principal o mafioso italiano Antonino Vadalá, 44. Calabrês expatriado, ele viveu na Eslováquia e é integrante da italiana ‘Ndrangheta, uma das principais organizações criminosas da Europa. Vadalá é considerado o criador de uma rota de tráfico de cocaína ligando a América do Sul à Eslováquia, passando pela italiana Veneza.
Crédito:Reprodução BBC
Manifestação em memória a jornalista Jan Kruciak e sua noiva reuniu milhares de pessoas em Bratislava no início do ano


A reportagem narra com consistência  a filosofia de atuação da ‘Ndrangheta e detalha seu plano para levar centenas de quilos de cocaína para o leste europeu. Os contatos usados para estabelecer conexões em países como Brasil, Colômbia e Bolívia receberam atenção especial dos repórteres, assim como a estratégia de Vadalá de sempre atuar formalmente como exportador de produtos legais, como mandioca e banana, a fim de esconder os carregamentos de cocaína de modo mais eficaz e diminuir as chances de apreensão. 

Embora Vadalá e outros membros da ‘Ndrangheta tenham sido presos, oficialmente a autoria do assassinato do jornalista Jan Kruciak e de sua noiva ainda não foi esclarecida. Mas a reportagem da OCCRP reúne muitos dados indicando que a máfia italiana é responsável pelo crime.