Temendo guerra comercial, governo tenta gerir crise de comunicação envolvendo liberação de pesticidas

Redação Portal IMPRENSA | 09/08/2019 19:00
Desde o início do ano, o Ministério da Agricultura aprovou o registro de 262 novos agrotóxicos, gerando preocupação entre consumidores e ambientalistas. A avaliação da ministra Tereza Crisitna é que a cobertura da imprensa dessa liberação recorde foi injustamente negativa e pode levar a uma guerra comercial no Brasil e no exterior.

Durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado em São Paulo esta semana, a ministra  convocou representantes do setor em busca de união contra o que chamou de "ataques pela mídia nacional" à política de aprovação do registro de novos agrotóxicos.

“Precisamos ganhar a guerra da comunicação e o agronegócio precisa se unir. É inadmissível que o agro tenha sido bombardeado pela mídia, falando que nosso alimento é inseguro, isso é uma inverdade”, disse a ministra. "A fila dos registros de defensivos tem andado rápido para trazer tecnologia e segurança", completou. 
Crédito:Reprodução Dourados Agora
Ministra Tereza Cristina discursa em abertura de Congresso Brasileiro do Agronegócio

Uma das etapas da estratégia de gerenciamento de crise já foi realizada. Um dia após a fala de Cristina, o Ministério da Agricultura promoveu um café da manhã com a imprensa, que teve a participação de especialistas e cientistas para tratar da segurança alimentar e dos agrotóxicos liberados no país. A ministra falou que o risco em torno da estratégia de aprovação recorde é "calculado", e se disse preocupada que o tema seja transformado em "guerra política no país" e em "guerra comercial no exterior". 

Discussões técnicas e ideológicas à parte, a linha de defesa do governo consiste em afirmar que os agrotóxicos que vêm sendo liberados a um ritmo acelerado no país estão substituindo produtos mais antigos. Assim, tal política aumentaria a segurança dos alimentos que vão à mesa do consumidor, e não o contrário.

O governo também se esforça para mostrar que, embora seja o primeiro país em gastos totais com defensivos agrícolas, no gasto por hectare o Brasil cai para a 44ª posição desse ranking. Para sustentar suas linhas de defesa, o governo questiona pesquisas como a do Instituto Butantã que concluiu não existir dose mínima totalmente não letal para diferentes defensivos usados na agricultura brasileira.