Após caso De Nuccio, Globo vai produzir comunicado para seus jornalistas sobre exercício de atividades paralelas

Redação Portal IMPRENSA | 02/08/2019 09:52
O pedido de demissão do âncora do Jornal Hoje, Dony De Nuccio, por ter uma empresa de comunicação que prestou serviços milionários a grandes clientes, incluindo Bradesco e Amil, levou a Globo a decidir elaborar um comunicado esclarecendo aos seus jornalistas o que podem e o que não podem fazer profissionalmente em paralelo a suas atividades na empresa.

A ideia surgiu pois muitos jornalistas, temendo punições, procuraram a direção da Globo relatando que também prestaram serviços a terceiros. O assunto vem sendo um prato cheio para a mídia, que descobriu outros casos de jornalistas da emissora que já faturaram alto com palestras e serviços de media training feitos externamente. Os exemplos mais explorados nas editorias de TV e entretenimento são os de Renata Vasconcellos e Rodrigo Bocardi. 
Crédito:Reprodução Jornal Hoje/TVGlobo
Além de Bradesco, empresa de Dony De Nuccio faturou alto com consultoria de comunicação prestada à Amil


Diversos veículos de imprensa publicaram reportagens sobre a participação de Vasconcellos em vídeos institucionais do Bradesco e sobre a realização de palestras por Bocardi para o mesmo banco. As matérias publicaram farta documentação, incluindo imagens de notas fiscais, sobre os valores envolvidos.  

Procurada pela imprensa, a Globo emitiu nota em que pontua diferenças entre os casos de Dony De Nuccio, Vasconcellos e Bocardi.  No comunicado, a emissora afirma que “Rodrigo Boccardi não tem e nem nunca teve uma empresa como a do jornalista Dony De Nuccio: não produz vídeos de nenhuma espécie, não faz projetos de comunicação, não faz vídeos publicitários, não capta clientes, não faz assessoria de imprensa. Sua PJ é o meio usado para que seja remunerado por palestras, mediação de debates ou apresentação de eventos, sempre fechados, sem transmissão ao público". 

No mesmo comunicado, a Globo esclarece que jornalistas podem ser contratados por terceiros para participação em eventos institucionais gravados em vídeo, mas "sempre com proibição expressa de que as imagens sejam veiculadas ao público externo ou a clientes". A emissora informa ainda que, em alguns casos, a prestação desse tipo de serviço por seus jornalistas se deu com sua própria autorização, por "não ferir as políticas atuais da empresa."

Em 11 de setembro de 2017, Bocardi teria recebido R$ 332 mil por serviços para a UniBrad (Universidade Corporativa do Bradesco) e para conteúdo direcionado para os clientes do banco. Já Vasconcellos aparece em vídeo de cerca de 8 anos atrás, ao lado de um totem do banco escrito “120 razões para ser cliente”. Os valores que ela teria recebido não foram divulgados

De acordo com o colunista de TV Daniel Castro, além de negócios milionários com o Bradesco, a saída de Dony De Nuccio da Globo foi impulsionada por serviços de consultoria de comunicação que a empresa do jornalista prestou para a Amil Assistência Médica. Neste caso, os valores cobrados ficaram em R$ 1,2 milhão. Ainda de acordo com Daniel Castro, Samy Dana, espécie de colunista de investimentos da Globo, era sócio de De Nuccio.