Pesquisa revela crescimento dos casos de assédio e perseguição contra jornalistas mulheres na Holanda

Redação Portal IMPRENSA | 18/07/2019 14:31
A despeito da sólida liberdade de imprensa observada na Holanda, a Associação Holandesa de Jornalistas divulgou recente pesquisa realizada com mais de 350 jornalistas mulheres que atuam no país. O levantamento trouxe resultados perturbadores. Mais da metade das entrevistadas disse ter sido submetida a intimidação ou violência em seu trabalho. E mais de 70 por cento disseram que essas ameaças eram um perigo para a liberdade de imprensa.

Crédito:(AFP/Damien Meyer

Físicas e digitais, as ameaças podem afetar a saúde mental das jornalistas, além de aumentar a relutância e medo de trabalhar. Algumas entrevistadas disseram que evitam pessoas e locais, ou se autocensuram em assuntos que possam levar a situações de assédio. Em casos extremos, algumas entrevistadas deixaram o jornalismo como resultado do assédio.

Uma jornalista que participou da pesquisa concordou em falar com o Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) sobre suas experiências. Muçulmana, Hassnae Bouazza, freelancer com experiência em cobertura de religião, integração e feminismo, diz que as ameaças e assédio ocorrem de várias formas.

"Quando fui anunciada para aparecer na TV e comentar assuntos relacionados ao Islã, Marrocos ou o conflito israelense-palestino, uma onda de insultos e calúnias contra mim começou nas mídias sociais e em e-mails direcionados à emissora para a qual eu trabalhava. Sofri ameaças de morte e estupro. O mesmo acontece se eu publicar qualquer coisa crítica da sociedade holandesa ou simplesmente ousar expressar minhas opiniões sobre política", diz Bouazza. 

As ameaças chegaram a se tornar físicas. Um homem que estava perseguindo Bouazza on-line, a encontrou num aeroporto quando ela estava trabalhando em um documentário. "Ele tirou fotos de mim e colocou no Twitter com comentários vis. Essa experiência inquietante me fez sentir insegura em lugares públicos", conclui a jornalista. 

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