Vaza Jato e monitoramento de movimentações financeiras de jornalista fomentam defesa da liberdade de imprensa

Redação Portal IMPRENSA | 03/07/2019 10:06
Duas semanas após ir ao Senado Federal falar sobre o vazamento de mensagens trocadas com procuradores quando era juiz da Operação Lava Jato, o ministro da Justiça Sergio Moro esteve na Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 2 de julho, para responder a questionamentos dos parlamentares sobre o caso conhecido como Vaza Jato.

Durante mais de sete horas, Moro falou sobre os diálogos vazados por uma fonte anônima e inicialmente publicados pelo site The Intercept Brasil. O principal questionamento dos deputados, porém, ficou sem resposta.

Crédito:Agência Brasil
Moro fala sobre Vaza Jato na Câmara dos Deputados: principal questionamento ficou sem resposta


Deputados da oposição perguntaram várias vezes se a Polícia Federal pediu para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) monitorar as movimentações de Glenn Greenwald, jornalista fundador do Intercept Brasil. A informação foi publicada pelo site O Antagonista no dia 2 de julho.

Moro não confirmou nem negou o suposto pedido de monitoramento. Ele se limitou a dizer que a Polícia Federal tem absoluta autonomia e que não interfere nessas investigações. 

Desde que o Intercept passou a noticiar as trocas de mensagens, a PF abriu um inquérito para apurar se houve ataque hacker aos celulares do então juiz e dos promotores. Até o momento, nem a Polícia Federal nem o Ministério da Economia, a quem o COAF é subordinado, responderam se as movimentações financeiras do fundador do Intercept Brasil estão sendo investigadas.

Segundo O Antagonista, a polícia quer saber se há algum indício de que Greenwald encomendou a invasão dos celulares dos procuradores. Pelo Twitter, Greenwald reclamou da possibilidade de ser investigado, e disse que não deixará de trabalhar. 

Crédito:Reprodução Twitter
Ao comentar nota da Freedom of the Press Foundation, Greenwald diz que liberdade de imprensa está ameaçada no Brasil



“Grupos de liberdade de imprensa em todo o mundo terão muito a dizer sobre isso. Enquanto você usa táticas tirânicas, eu continuarei reportando junto com muitos outros jornalistas, de muitos outros jornais e revistas”, tuitou Greenwald, criticando pessoalmente o ministro Moro. 

Em nota em inglês, a Fundação Pela Liberdade de Imprensa (Freedom Of The Press Foundation) pediu ao Governo brasileiro a suspensão imediata de "suas táticas de intimidação". “Investigar criminalmente o jornalista Glenn Greenwald por reportar sobre corrupção dentro do Governo Bolsonaro é uma violação chocante de seus direitos como repórter”, defendeu a entidade.

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