“Consegui montar a coluna vertebral da história, a partir dos depoimentos de Walther Moreira Salles”, diz Luís Nassif

Gisele Sotto, em colaboração | 02/07/2019 11:21
Escrita pelo jornalista Luís Nassif, a biografia “Walther Moreira Salles – O banqueiro-embaixador e a construção do Brasil”, conta sua história a partir de uma convivência privilegiada de três anos com o biografado, além de entrevistas com os principais personagens da história brasileira dos anos 1940 a 1980.
Crédito:Divulgação / Companhia Editora Nacional

Banqueiro brasileiro que vem desde os tempos do café, Walther Moreira Salles foi figura central para garantir o desenvolvimento do Brasil nos anos 50 e 60 como embaixador nos Estados Unidos e renegociador da dívida externa, além de ter revolucionado o mercado de capitais. “O livro conta uma história do poder no século 20 através dos seus personagens mais expressivos, dos quais o mais relevante para o livro e o país é Walther Moreira Salles”, destaca Nassif. 

Através dos olhos de Moreira Salles, o livro descreve a passagem do Brasil do café para as primeiras sociedades informais de capitalistas, a criação do sistema bancário nos anos 1930, a saga do petróleo nos anos 1940, o rodoviarismo nos anos 1950, o mercado de capitais nos anos 1960, o nióbio, o papel e celulose.

Para escrever a biografia, que foi iniciada em 1991 e demorou mais de 10 anos para ficar pronta, Nassif entrevistou também os primeiros sócios de Moreira Salles, como Homero Souza e Silva, Aloisio Salles, Plinio Salles Souto, e as principais figuras do período, como Eliezer Baptista, José Luiz Bulhões Pedreira, Rafael de Almeida Magalhães, Roberto Campos e Lucas Lopes.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Nassif revela alguns detalhes do desenvolvimento da obra. 

Quais as condições impostas pelo biografado?

Não chegou a haver negociação. Na fase de coleta de dados, não houve acordo nenhum. Quando terminei o livro, Walther Moreira Salles já tinha falecido há tempos. Submeti o livro aos filhos para a correção de pontos factuais e também sobre a maneira de tratar alguns temas mais delicados (como o suicídio da mãe), mas sem compromisso de aceitar todas as ponderações. Aceitei algumas, não aceitei outras. 

O que mudou, com apurações posteriores até a edição atual?

Na fase inicial, consegui montar a coluna vertebral da história, a partir dos depoimentos de Walther e dos sócios de primeira hora. Depois, fui preenchendo cada tema ouvindo fontes que conviveram com ele, especialmente no Rio. Havia episódios em que ele passou por alto, como o da tentativa de compra da rede Globo. Deu algumas pistas vagas, mas que me permitiram preencher a história ouvindo testemunhas oculares dos episódios narrados. Ele não mencionou, por exemplo, a sociedade com o Secretário do Tesouro norte-americano Douglas Dillon na negociação de títulos da dívida externa. Essa sociedade lhes permitiu ganhar muito dinheiro, mas facilitou enormemente fechar acordos que permitiram ao país manter o ritmo de crescimento dos anos 50.

Fui conseguindo esses dados conversando com contemporâneos dele, como Homero Souza e Silva e personagens da história do país.


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