Jornalistas de tecnologia falham em cobrir a pauta de forma crítica

Redação Portal IMPRENSA | 01/07/2019 15:41
Crédito:Alexandra Itacarambi
Tatiana Dias, do Intercept Brasil e Sérgio Spagnuolo, do Volt Data Lab
O debate do Congresso da Abraji com o tema “Investigações sobre tecnologia e algoritmos enviesados: como ir além do jornalismo de gadgets", mediado por Guilherme Canela, da UNESCO, iniciou com cada jornalista contando como começaram suas primeiras experiências com a internet e com a editoria. 

Tatiana Dias, jornalista do Intercept Brasil, conta que quando começou a cobrir a pauta não gostava de tecnologia, ela se propôs a olhar como a tecnologia mexia com a sociedade, “cobrir a internet é cobrir o mundo”, diz. Para Sérgio Spagnuolo, do Volt Data Lab, “cobrir a internet é cobrir a infraestrutura”. Ele acrescenta que olhamos pouco para as empresas de Telecom e que é necessário atentar mais para o ecossistema.

Gabriel Dance, editor-adjunto de investigações no The New York Times, foi o primeiro apontar que os jornalistas de tecnologia falham em cobrir criticamente os grandes players de tecnologia. Ele explicou como conseguiram dados de grandes empresas de tecnologia para escrever matérias críticas sobre os players:


O jornalista Diego Salazar, colaborador do The New York Times, Ojo Público, RPP e outros veículos da América Latina, Europa e Estados Unidos, criticou a falta de transparência do Facebook. “Todos sabemos que o Facebook toma decisões editoriais. O Facebook precisa aceitar que é um publisher”. Ele afirma que existem muitos dados secretos e para cobrir de forma crítica precisamos entender primeiro sobre o modelo de negócio deles.
 

Gabriel, que foi editor-chefe do projeto Marshall, startup de jornalismo investigativo sem fins lucrativos focada em crimes e punições nos Estados Unidos, defende que os usuários precisam pagar por notícias. Esta é a melhor forma de ter um projeto independente, sem conflito de interesses. O jornalista também deu dicas importantes para a proteção de jornalistas e suas fontes:
 

Ao comentar sobre as deepfakes, Gabriel alerta que “o grande problema das deepfakes é que as pessoas vão parar de acreditar em coisas que são reais”. 

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