Reuters aponta que brasileiros demonstram um alto grau de preocupação com relação à desinformação

Redação Portal IMPRENSA | 14/06/2019 15:17
O Digital News Report 2019, desenvolvido pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, foca no progresso de novos modelos de negócios pagos, confiança e desinformação, o impacto do populismo, a mudança para apps de mensagens privadas, e o aumento dos podcasts. Foram entrevistadas 75 mil pessoas em 38 países, inclusive no Brasil, nos meses de janeiro e fevereiro deste ano.
Crédito:Reprodução / Reuters Institute

O relatório destaca que os tempos são difíceis para a indústria de notícias, considerando a desconfiança no jornalismo, e que a publicidade não consegue mais sustentar as redações, dessa maneira os publishers estão tentando cobrar pelo conteúdo. No entanto questiona “mas isso está funcionando”?

Entre as principais descobertas do Digital News Report 2019 estão:

- Mais pessoas estão pagando por notícias online (em alguns países), mas os limites da assinatura estão se tornando claros. “Em alguns países, a maioria prefere gastar seu orçamento limitado em entretenimento (Netflix/Spotify) do que em notícias”. 

O relatório alerta que a frustração com os paywalls pode empurrar os consumidores para os braços dos agregadores de notícias, como o Apple News+. “Mais da metade dos entrevistados (55%) prefere acessar notícias por meio de buscadores, mídias sociais, ou agregadores de notícias”.

- Nos países pesquisados, 26% das pessoas dizem que começaram a contar com fontes de notícias com maior “reputação”, e 24% disseram que pararam de consultar fontes com reputação não-confiável no ano passado. Apesar disso, a confiança nas notícias continua a cair, e as pessoas reclamam da sobrecarga de notícias e da negatividade das mesmas, conforme destaca o relatório. “As pessoas dizem que evitam as notícias porque eles têm efeito negativo no seu humor (58%) ou por se sentirem incapazes de mudar os fatos”. 

- Em muitos países, as pessoas estão ficando menos tempo no Facebook, e mais no Instagram e WhatsApp. Segundo o relatório, o “WhatsApp tornou-se a principal rede para discutir e compartilhar notícias em países como o Brasil (53%), Malásia (50%) e África do Sul (49%)”. 

- Podcasts (e podcasts de notícias) estão tendo boa aceitação pelos consumidores, especialmente os mais jovens. O celular é o dispositivo mais utilizado (55%) para se ouvir podcasts. 

Considerando a análise específica do Brasil pelo relatório:

Mídia: O online e a televisão permanecem como as fontes de notícias mais importantes no Brasil, enquanto o impresso apresenta queda desde 2013.  Os smartphones não só ultrapassaram os computadores como principal meio de acesso às notícias online, mas também conquistaram uma larga liderança.

Influência das eleições na confiança: Após uma eleição polarizada, a confiança caiu 11 pontos, de 59% para 48%. Na pesquisa, os brasileiros demonstram um alto grau de preocupação com relação à desinformação, e o uso elevado das mídias sociais durante a eleição para difundir notícias falsas. E no país, 85% concordam com que estão preocupados com o que é real e falso na internet. “A preocupação com a desinformação permanece alta, apesar dos esforços das plataformas e publishers em construir a confiança do público”, afirma o relatório. 

Rodrigo Carro, jornalista financeiro e antigo membro do Reuters Institute, destaca ainda na análise os projetos de fact-checking “Fato ou Fake” e do “Projeto Comprova”, como iniciativas importantes para frear o avanço das fake news durante as eleições. 

Quanto aos esforços da indústria de notícias brasileira para atrair assinantes digitais, Carro comenta que após três anos de queda na circulação, as assinaturas digitais tiveram aumento de 33% nos jornais posicionados entre os 10 com mais assinantes, motivado por campanhas de desconto e a adoção extensiva de paywalls. 

Os brasileiros permanecem entre os que mais utilizam as mídias sociais no mundo. E o crescimento de usuários tem sido maior no Instagram, WhatsApp e Youtube. 

Carro lembra também a influência do presidente Bolsonaro. “Durante a campanha presidencial (e após), os tweets frequentes de Bolsonaro e aparições no Facebook Live forçaram uma mudança na cobertura pela mídia tradicional, já que os jornalistas tinham que ficar atentos não apenas às mídias sociais do presidente, mas de seus aliados. Antes de assumir o mandato, o presidente brasileiro anunciou 14 de seus 22 ministros pelo Twitter”. 

Confira abaixo alguns gráficos da análise no Brasil: 

Alcance semanal das marcas - online e offline 
Crédito:Reprodução / Reuters Institute

Confiança nas marcas
Crédito:Reprodução / Reuters Institute


Mídias sociais no Brasil
Crédito:Reprodução / Reuters Institute

Acesse o relatório no site do Reuters Institute, e veja também uma apresentação do estudo neste link