Secretário nega viés ideológico na gestão de recursos da Secom e ingerência de filhos do presidente

Redação Portal IMPRENSA | 28/05/2019 17:40

O secretário de Comunicação Social da Presidência da República, Fabio Wajngarten, participou hoje (28) de audiência da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC), em Brasília. No encontro, admitiu que a comunicação do governo ainda não é a ideal, defendeu que o presidente Jair Bolsonaro se aproxime mais da mídia tradicional e negou que exista ingerência dos filhos do presidente na comunicação oficial. 

Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado
O secretário Fabio Wajngarten e a senadora Eliziane Gama durante audiência da CTFC

"Não noto ingerência dos filhos. O presidente Bolsonaro deu à Secom liberdade total para trabalhar tecnicamente", garantiu, acrescentando que a secretaria não interfere nas redes sociais do presidente. "Toda comunicação social, a diretriz, passa pela Secom. A senha do Twitter pertence ao presidente. Ele publica o que quer, é direito dele, a conta é dele", completou ao ser questionado sobre postagens polêmicas feitas pelo presidente.


Ao abordar as diretrizes da comunicação governamental, o secretário também negou a existência de viés ideológico na gestão de recursos.  "Não vou deixar perpetuar preconceito em quem quer que seja em Brasília. O governo tem de falar com todo mundo, investir em todo mundo, usando os mais altos critérios técnicos", afirmou. Segundo ele, Bolsonaro se reuniu com um executivo da Globo na semana passada e hoje de manhã conversou com João Carlos Saad, o Johnny, presidente do Grupo Bandeirantes.


Wajngarten falou sobre a distribuição de recursos publicitários da pasta. Há 45 dias no cargo, ele apresentou o resultado do levantamento feito sobre a destinação dessa verba. A TV recebe a maior parcela do montante (60,41%), seguida pela internet (14,35%), mídia exterior (8,93%), rádios (6,42%), jornais (5,99%), revistas (3,54%) e cinema (0,35%).


Em sua análise, o secretário criticou o que classificou como atual ecossistema da comunicação no país. "É lamentável ver importantes grupos de comunicação fechando as portas ou em alto endividamento. Não dá para ter uma Editora Abril quebrando, uma RedeTV em dificuldades financeiras, uma Rede Bandeirantes muito endividada e muitos jornais fechando. Não fico feliz. Temos de fazer movimentos contrários para fortalecer os grupos de comunicação. Essa relação entre audiência e investimento é nociva para o sistema todo", disse, citando que a atual emissora líder no mercado tem 35% dos aparelhos de TV ligados nela. "O sistema publicitário precisa de uma repactuação de mercado, porque dados como esse contribuem para a concentração das verbas", destacou.


O secretário assegurou que a pasta enfatizará a transparência na gestão dos recursos financeiros. "Vamos retomar a publicitação de cada real investido com a maior transparência possível", garantiu, ressaltando o mote da Secretaria será fazer investimentos responsáveis. "A gente precisa dar transparência nas relações com as agências. precisamos ter um ecossistema oxigenado e justo", explicou. 


O orçamento da Secom para esse ano é de R$ 150 milhões. Uma parte dele foi contingenciado, restando R$ 108 milhões para serem utilizados. Essa utilização, afirmou Wajngarten, seguirá políticas adotadas no setor privado. "Vamos reunir todo o volume de mídia que o governo movimenta e fazer uma negociação única. Com isso, estimamos uma economia entre R$ 450 e R$ 500 milhões."


A importância da comunicação regional foi outro tema abordado pelo secretário na reunião. "Se não tiver uma distribuição grande vamos ter uma comunicação de uma voz só", destacou. 


Falando sobre o futuro da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Wajngarten comparou o orçamento da empresa ao do SBT e afirmou que a rede terá de se modernizar para se adequar à evolução tecnológica. Desde o início do governo houve várias mudanças na estrutura da empresa, entre elas a fusão da TV Brasil com a NBR.   


Assista ao vídeo da reunião:



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