Alvo de assédio online, jornalista do New York Times deixa a Colômbia

Redação Portal IMPRENSA | 21/05/2019 10:00

O jornalista Nicholas Casey, chefe do escritório dos Andes do The New York Times, deixou a Colômbia após ser alvo de assédio online de parlamentares. A informação foi divulgada pelo jornal El Tiempo, segundo o qual o repórter fotográfico Federico Ríos também deixou o país pelo mesmo país. 


De acordo com o Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), o caso teve início no dia 18, quando a senadora María Fernanda Cabal, do partido Centro Democrático, postou em sua página no Twitter uma foto do jornalista acusando-o de ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), um grupo de guerrilha paramilitar, e de ser pago para escrever "contra o Exército colombiano". Outros membros do mesmo partido fizeram comentários na postagem, acrescentando acusações ao profissional. 


O NYT respondeu à senadora afirmando que o jornal não toma partido em conflitos políticos em nenhum lugar do mundo e que faz seu trabalho com imparcialidade.

Crédito: Reprodução


A Fundação Pela Liberdade de Imprensa (FLIP na sigla em inglês) postou uma mensagem apoiando Casey e acabou se tornando alvo de assédio também. O ex-presidente Álvaro Uribe, atualmente senador, tuítou em resposta dizendo que a defesa da organização resultaria em "proteção do narcoterrorismo e difamação contra as Forças Armadas da Colômbia". 


Os ataques contra Casy tiveram início após o jornalista publicar um artigo informando que as Forças Armadas colombianas haviam determinado às tropas para aumentar o número de criminosos e militantes mortos por elas. O CPJ alertou para o perigo representado pela reação dos políticos colombianos.


"Legisladores têm o direito de questionar qualquer reportagem, mas comentários perigosos e irresponsáveis como os feitos contra Nicholas Casey têm o potencial de colocar em perigo sua segurança e desencorajar reportagens sobre questões delicadas na Colômbia", criticou o diretor do CPJ, Carlos Martínez de la Serna. "Em ambientes perigosos como o enfrentado pela imprensa na Colômbia é de extrema importância que jornalistas e organizações de liberdade de imprensa como a FLIP não sejam atacadas por legisladores simplesmente por fazerem seu trabalho". 


Como consequência da denúncia feita pelo NYT, as Forças Armadas da Colômbia iriam suspender a diretriz 18, cujo conteúdo deu origem à reportagem de Casey. Em manifestação pelo Twitter, o jornalista americano agradeceu o apoio recebido de outros profissionais da imprensa. Após sua reportagem, o jornal El Tiempo e a Blu Radio Colombia publicaram as ordens de comando da Forças Armadas colombianas a partir das quais Casey escreveu sua matéria. 


O senador dos Estados Unidos Patrick Leahy usou sua conta no Twitter para se posicionar sobre o ataque feito ao jornalista. Leahy disse que o governo deveria fazer uma investigação profunda das denúncias feitas pela senadora colombiana contra o profissional do New York Times e, caso não existam provas das acusações feitas pela parlamentar, abrir uma ação na Justiça. 


"A liberdade de imprensa é vital em qualquer sociedade democrática e é uma responsabilidade solene dos governos oficiais defenderem isso", escreveu Leahy.


Nota da redação: Às 13h49 o texto foi atualizado com a inclusão da saída do país do fotógrafo e dos três últimos parágrafos do texto. 

 

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