Em novo livro, Mauri König revela processos de produção jornalística

Marta Teixeira | 20/05/2019 09:00

Um dos mais premiados jornalistas do Brasil, Mauri König acaba de lançar o quarto livro de sua trajetória como escritor. Desta vez, contudo, não se trata de um livro-reportagem ou de uma coletânea com algumas de suas principais matérias, "Processo de Produção Jornalística" é uma obra didática.   

Crédito: Reprodução
O jornalista Mauri König acaba de lançar o quarto livro de sua carreira

O livro nasceu de um pedido da Editora Intersaberes, especializada em publicações universitárias, e foi concebido para ser utilizado por professores e alunos em sala de aula, como uma espécie de manual. O conteúdo trata de teorias, técnicas e de experiências do autor sobre como fazer coberturas cotidianas. 


"Há quase quatro anos, ministro esse curso (processos de produção jornalística). Coloquei no livro algumas das coisas que abordo em aula, desde a origem da pauta, o insight, até a execução da reportagem. Tentei conciliar um pouco da minha vivência de 29 anos em prática jornalística, minhas leituras teóricas, além da prática em sala de aula", explica o jornalista, que também é professor na Uninter.


Nos últimos anos, cresceu o número de jornalistas experientes que têm produzido obras literárias nas quais compartilham suas técnicas e experiências profissionais. Uma tendência que, König ressalta, merece ser estimulada. "É importante porque nós, jornalistas, também aprendemos a fazer jornalismo pela prática, pelo exemplo de outros. Quanto mais jornalistas estiverem produzindo sobre isso mais opções de modelos a serem seguidos existirão."


O livro não é o único lançamento marcante na carreira de König este ano. Ele também foi escolhido como protagonista do filme "The Thinnest Border" ("A fronteira mais fina"), primeiro documentário da série "Minha caneta é minha arma" sobre jornalismo investigativo ao redor do mundo. 


Produzido pela Ecocinema, com apoio da Transparência Internacional e do Ministério das Relações Exteriores do Canadá, o documentário deve ser finalizado até o fim deste semestre. O cineasta Gonzalo Lamela é o diretor do episódio que explora a experiência de König, ao lado dos jornalistas Diego Ribeiro, Felippe Aníbal e Albari Rosa na produção da reportagem "Polícia Fora da Lei". Publicada no jornal Gazeta do Povo, em 2012, a matéria trata de irregularidades na gestão de recursos da Polícia Civil do Paraná. Por causa dela, ele recebeu ameaças de morte e foi obrigado a passar algum tempo escondido.


"A cada ano, coisas bem importantes vêm acontecendo", diz König, falando com timidez do  reconhecimento. "É um pouco constrangedor, meio cabotinismo, falar de si mesmo. Mas já disse aos meus três filhos: o legado que tenho de deixar para eles é moral, simbólico, não físico. O exemplo do que fiz ao longo da minha profissão. Isso tudo é um reconhecimento que tive ao longo da minha carreira de dedicação ao jornalismo".


König ainda não sabe se serão feitos eventos de lançamento de "Processo de Produção Jornalística", mas o livro pode ser adquirido direto no site da editora. Também são de sua autoria os livros "Narrativas de um correspondente de rua", pela editora Pós-Escrito, finalista do Prêmio Jabuti em 2009, "O Brasil oculto", pela editora ComPactos, e "Nos bastidores do mundo invisível", pela editora Cursiva. 


Por seu trabalho jornalístico, König já recebeu o prêmio Maria Moors Cabot (2013), o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa (2012), do Comitê de Proteção aos Jornalistas, o Global Shining Light Award, além do Prêmio de Direitos Humanos da Sociedade Interamericana de Imprensa, além de dois prêmios Esso e várias outras premiações nacionais.


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