Porte de arma pode transformar jornalista em alvo, alerta Fenaj

Redação Portal IMPRENSA | 09/05/2019 12:21

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) criticou o decreto 9.785/2019, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, que ampliou o direito ao porte de arma para profissionais de diversas áreas, entre elas jornalistas que fazem cobertura policial. Para a entidade, a medida não aumentará a segurança do jornalista e seu efeito pode ser exatamente oposto. 

Crédito:Reprodução

"A Fenaj entende que a posse/transporte de armas não vai contribuir para a segurança dos profissionais, que devem cuidar da produção da notícia, sem exposições ou enfrentamentos que coloquem em risco sua integridade física. O porte de arma pode, inclusive, transformar o jornalista em alvo", disse a entidade em nota oficial. 

A Federação destacou que garantir a segurança de jornalistas e demais comunicadores no exercício profissional em situações de risco é responsabilidade do Estado. "A responsabilidade pela segurança dos jornalistas e demais profissionais da comunicação não pode ser transferida; é do Estado em corresponsabilidade com as empresas empregadoras."


A entidade defendeu os preceitos do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826, de 2003) e ressaltou que ao modificar a legislação "o governo Bolsonaro promove o armamento da população" e "não contribui para a diminuição da violência". 


A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) também chamou a atenção para o risco de aumento da ameaça aos jornalistas. "Esta decisão cria um precedente perigoso e não revolve em nada os problemas de insegurança aos quais são expostos inúmeros jornalistas brasileiros. É com sua caneta e não com uma arma que os jornalistas podem cumprir sua única e pesada responsabilidade: fazer o trabalho de informar", disse Emmanuel Colombié, diretor do escritório latino-americano da RSF.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) foi outra entidade a se posicionar contra o decreto. Defendendo a revogação do trecho que se refere especificamente a profissionais de imprensa, a organização destacou ainda que "nos 16 anos em que a Abraji  oferece treinamentos de segurança a jornalistas em parceria com organizações internacionais como o International News Safety Institute (INSI), o porte de armas jamais foi apresentado como forma de proteção".


Acesse a íntegra da nota da Fenaj.


Nota da redação: Matéria atualizada às 14h06 com inclusão dos pronunciamentos da RSF e Abraji.

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