“Existem duas instituições que são irmãs siamesas, o Ministério Público e a imprensa”, aponta Ana Amélia Lemos

Redação Portal IMPRENSA | 07/05/2019 15:24

Crédito:Acácio Pinheiro / IMPRENSA



Na conferência de encerramento do 11º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, a ex-senadora da República Ana Amélia Lemos, presidente da Fundação Milton Campos e Secretária de Relações Federativas e Internacionais do Rio Grande do Sul, falou sobre as divergências e consensos no mundo do jornalismo. Formada em jornalismo pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Ana Amélia começou seu discurso em defesa da liberdade de expressão e da democracia, mas pediu “maior seriedade dos jornais” ao tratar de assuntos relacionados ao governo. Também defendeu a ideia de que “só há democracia se preservarmos o exercício da liberdade de expressão”. Angela Rehem, sócia-fundadora da Libertas - Estratégias em Relações Governamentais e Institucionais, foi a moderadora da conferência, ao lado de Sinval de Itacarambi Leão.

 

Logo no inicio de sua conferência, Ana Amélia repudiou a censura de um veículo de comunicação em pleno século XXI, e classificou como “um momento perverso da história da comunicação e democracia no nosso país”. Veja um trecho desta declaração.

 

A ex-senadora diz perceber “um grau elevado de sensibilidade, pois qualquer ‘ai’ é motivo de conflito”. Ela relatou que fez uma postagem com a foto do Vice-Presidente General Mourão, que dizia: “Mourão está sendo atacado pelas suas virtudes, não pelos seus defeitos”. Segundo ela, foram mais de 1.200 comentários, a favor e contrários ao Vice-Presidente da República, divididos entre pessoas comuns e robôs, que ditavam o teor de sua publicação. “Fui acusada de ser uma inspiradora da retirada do Bolsonaro, para que Mourão assuma”. Veja este trecho.

 

Ao repudiar as tentativas de medidas e formas de controle para restringir a atuação de instituições, Ana Amélia pontua que no entendimento dela “existem duas instituições que são irmãs siamesas, o Ministério Público e a imprensa, pois as duas denunciam pelo seu papel constitucional e seu compromisso com a verdade e transparência”.

 

Por fim, mostra a importância de um jornalismo sério, pois é preciso “ter um grau de comprometimento com a responsabilidade, a institucionalidade do país, a constituição e com a liberdade de expressão, como um `bem maior´ assim como o ar que nós respiramos, e a água que nós bebemos”, sendo a base para a vida em sociedade. “Não foi fácil conquistar a democracia, e não podemos perdê-la sem lutar”.


Promovido pela Revista e Portal IMPRENSA, esta edição do fórum conta com o patrocínio da ABERT, apoio da OAB-DF, e apoio logístico do Insper. Além do apoio institucional da ABI, Abracom, Abraji, ANER, ANJ, Associação dos Correspondentes Estrangeiros, Instituto Palavra Aberta, OBCOM/USP, e Repórteres sem Fronteiras, e apoio de mídia da Agência Radioweb e do JOTA. Confira no site do evento a galeria de fotos, notas de cobertura e materiais relacionados. 


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