Suprema Corte de Mianmar rejeita apelação de jornalistas da Reuters

Redação Portal IMPRENSA | 23/04/2019 10:32

A Suprema Corte de Mianmar rejeitou a apelação feita pela defesa dos jornalistas Wa Lone e Kyaw Soe Oo. A dupla de repórteres da Reuters cumpre uma sentença de sete anos de prisão. 

Crédito: Reprodução/CPJ

Eles foram presos em dezembro de 2017, enquanto cobriam o assassinato em massa de homens Rohingya, no Estado de Rakhine. Os dois jornalistas revelaram a existência de uma cova coletiva com os corpos das vítimas do massacre. 


A reportagem iniciada por eles, e concluída por Simon Lewis e Antoni Slodkowski, foi a vencedora do prêmio Pulitzer de 2019 na categoria reportagem internacional. Após a publicação da matéria, em fevereiro de 2018, sete soldados foram presos por envolvimento nas mortes. 


O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) lamentou a recusa da Justiça de Mianmar em aceitar a apelação. "As autoridades de Mianmar cometeram uma grave injustiça contra Wa Lone e Kyaw Soe Oo e suas famílias e criminalizaram o jornalismo independente. Ambos deveriam ser libertos para continuarem sua reportagem e não ficarem na cela de uma prisão. Sua condenação e sentença será uma mancha permanente na reputação de Mianmar", afirmou Shawn Crispin, representante da CPJ na região do Sudoeste da Ásia. 


Os dois jornalistas foram julgados em setembro de 2018 por suspeita de posse e disseminação de informações secretas sensíveis à segurança nacional de acordo com o Ato de Segredos Oficiais, uma lei da era colonial. Um apelo já havia sido rejeitado pela Alta Corte de Mianmar, em Yangon, em janeiro. O caso então foi para a Suprema Corte. 
  
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