Crusoé e O Antagonista denunciam censura do Supremo a reportagem

Redação Portal IMPRENSA | 15/04/2019 16:14

A revista Crusoé e o site O Antagonista protestaram contra decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando a retirada do ar de reportagem na qual é citado o ministro Dias Toffoli, presidente da Corte. As publicações estão sujeitas a multa diária de R$ 100 mil em caso de não cumprimento da determinação. 

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Imagem postada pela revista e pelo site em protesto contra decisão do ministro do STF




Moraes também determinou à Polícia Federal a intimação dos responsáveis pela reportagem "para que prestem depoimentos no prazo de 72 horas".


"Desde o fim da manhã desta segunda-feira, 15, Crusoé está sob censura, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal", relata postagens feitas pelas publicações. De acordo com o texto, uma cópia da decisão foi entregue na redação, no fim da manhã desta segunda-feira, por um oficial de Justiça.  


As postagens informam que "a reportagem de que trata a decisão do ministro foi publicada com base em um documento que consta dos autos da Operação Lava Jato. Nele, o empreiteiro Marcelo Odebrecht responde a um pedido de esclarecimento feito Polícia Federal, que queria saber a identidade de um personagem que ele cita em um e-mail como 'amigo do amigo de meu pai'. Odebrecht respondeu tratar-se de Dias Toffoli, conforme revelou Crusoé em sua edição de número 50, publicada na última sexta-feira, 12".


De acordo com Moraes, a decisão está no escopo do inquérito aberto a pedido de Dias Toffoli, em março, sobre "a existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares, extrapolando a liberdade de expressão". A investigação, segundo o ministro, foi autorizada pelo próprio Toffoli, em mensagem direta enviada na sexta-feira.   


"Toffoli, no pedido para que a reportagem fosse objeto de apuração, alegando tratar de 'mentiras' destinadas a atingir as 'instituições brasileiras', se refere a nota oficial divulgada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) dizendo não ter recebido, ainda, cópia do documento enviado à Lava jato por Marcelo Odebrecht e revelado por Crusoé", relata o site.  


Em sua decisão, Alexandre de Moraes afirma que "há claro abuso no conteúdo da matéria veiculada" e determina que além da reportagem, todas as postagens subsequentes que tratem do assunto também sejam retiradas do ar. 


Ao se manifestar sobre a decisão, a Crusoé "reitera o teor da reportagem, baseada em documento" e afirma que "embora tenha solicitado providências ao colega Alexandre de Moraes ainda na sexta-feira, o ministro Dias Toffoli não respondeu às perguntas que lhe foram enviadas antes da publicação da reportagem agora censurada". 


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