"Imprensa livre não existe para agradar a este ou aquele", diz ministro em homenagem à Folha

Redação Portal IMPRENSA | 14/03/2019 16:39

Sessão especial realizada nesta quinta-feira (14) marcou a homenagem do Senado Federal aos 98 anos da Folha de S. Paulo. Os parlamentares destacaram a importância da liberdade de imprensa e o papel fundamental que a publicação paulista desempenhou na construção da história do Brasil. Durante o ato também foi homenageado o ex-diretor do jornal Otavio Frias Filho, que morreu no ano passado de câncer.  

Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

"Nem sempre gostei do que a Folha publicou sobre o meu desempenho, discordei da opinião do jornal muitas vezes, mas sempre considerei que a imprensa livre não existe para agradar a este ou aquele, tampouco a mim. E sempre reconheci no jornal e naquele que o comandou com brilho e talento, a honestidade de propósito. O grande valor da democracia está nas divergências", discursou o ministro Gilmar Mendes, representante do Supremo Tribunal Federal (STF), informou a Agência Senado. 


Na tribuna, senadores de diferentes partidos falaram sobre a atuação do jornal em momentos importantes. "A Folha ajudou o país a construir e a contar a história do Brasil dos últimos quase 100 anos, e isso não é pouca coisa. Nós somos frutos dessa história", disse o senador Antonio Anastasia (PSDB), acrescentando que o jornal foi um "verdadeiro agente transformador do processo de redemocratização".


A atuação da Folha como agente fiscalizador também foi lembrada. "Na eleição, corajosamente denunciou interferência importante no processo eleitoral, colocando-se ao lado do que era justo e correto, independentemente do que aconteceria. Sua posição é corajosa hoje em dia para criticar posturas que podem agredir a democracia", elogiou o senador Humberto Costa (PT). 


Randolfe Rodrigues (Rede) aproveitou para criticar tentativas recentes de censurar a imprensa nacional. "No passado era empastelando os jornais, invadindo as redações; hoje é tentando destruir jornalistas pelas redes sociais. Agora foi com o Estadão, mas já foi com a Folha, com a Globo", declarou. A referência foi feita ao episódio das críticas publicadas pelo presidente da República Jair Bolsonaro em sua conta no Twitter com base em declaração falsamente atribuída à jornalista Constança Rezende, do jornal O Estado de S. Paulo.    


A diretora de redação da Folha, Maria Cristina Frias, compareceu à sessão. A executiva destacou o valor do pluralismo no exercício profissional. 


"A ideia central do jornalismo que praticamos é que os poderes numa sociedade democrática precisam ser contrastados, não podem ser exercidos sem crítica ou contrapeso, sob o risco de se desviarem para o arbítrio. A Folha tem como rotina inarredável ouvir os argumentos de quem foi criticado nas matérias. Cultiva a pluralidade no seu quadro de jornalistas, colunistas e articulistas. O intuito é permitir o florescimento de um jornalismo crítico e preciso e leal com leitores, fontes e personagens da notícia", disse Maria Cristina. 


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