Jornal do Brasil extingue versão impressa e volta a ser apenas digital

Marta Teixeira | 14/03/2019 15:09

Pela segunda vez em sua história, o Jornal do Brasil deixa de ter versão impressa e volta a ser exclusivamente digital. A mudança foi formalizada na tarde de quarta-feira. 

Crédito: Reprodução






A direção do jornal ainda não definiu todos os ajustes que serão feitos. "Estamos estudando, tentando primeiro encerrar os contratos de quem estava e não pretendemos que continue e ver o que será feito pela frente. Precisamos turbinar o online que, além da agilidade, tinha outros atrativos porque uma parte do público comprava o online para ler o jornal (impresso). Estamos estudando como compensar isso", explicou ao Portal IMPRENSA, o vice-presidente editorial do JB, Gilberto Menezes Côrtes.  


A redução da equipe, porém, já é um fato. Entre as baixas está o ex-diretor de redação, Toninho Nascimento, que se desligou no início desta semana. A situação de alguns editores também permanece indefinida. Dos cerca de 50 funcionários que trabalhavam no jornal, cerca de 50% não integra mais a equipe, informou Côrtes. Segundo ele, apenas no online quase não houve alteração.  


No começo de fevereiro, os jornalistas do JB entraram em "estado de greve" e começaram a trabalhar em sistema de rodízio. O motivo foram atrasos no pagamento dos salários.


Na época, o vice-presidente editorial, Gilberto Menezes Côrtes, informou que o jornal já havia quitado parte dos débitos com os trabalhadores e contava com o dinheiro da venda de um terreno de propriedade de Omar Peres, que licenciou a marca, para recuperar o fôlego financeiro. 


A expectativa era concluir o negócio logo após o Carnaval.  O fato de a transação ainda não ter sido concretizada foi determinante para o fim do impresso, explicou Côrtes. Atualmente, o jornal ainda tem pendências relativas a janeiro, fevereiro e um resíduo de dezembro com alguns trabalhadores. Por esse motivo, os funcionários decidiram fazer uma greve de 24 horas no começo da semana.


"Não podendo segurar as pessoas sem horizonte para pagar, (o dono) resolveu encerrar. Vínhamos contando com sacrifício e colaboração da redação, mas chegou a um ponto que não dava mais nem para pedir isso", resumiu Côrtes sobre os motivos para encerrar a edição impressa.  


Fundado em 1891, o JB tinha ficado quase oito anos sem  circular nas bancas, mantendo suas atividades apenas no site. Em janeiro de 2018, já sob comando de Peres, a versão impressa foi retomada. As complicações financeiras, contudo, retornaram no ano passado por causa de pendências na Justiça.

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