Com atraso nos salários e estado de greve, Jornal do Brasil tenta superar dificuldades financeiras

Marta Teixeira | 01/03/2019 15:59

Um ano depois de voltar a ter edição impressa, o Jornal do Brasil ainda luta para conseguir estabilidade econômica. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, os trabalhadores entraram em estado de greve no dia 5 de fevereiro por causa de atrasos no pagamento dos salários. Para compensar essa situação, os funcionários começaram a trabalhar em sistema de rodízio.    

Crédito: Pixabay

O estado de greve é um aviso aos empregadores e permite que os trabalhadores interrompam as atividades a qualquer momento após decisão em assembleia. Gilberto Menezes Côrtes, vice-presidente editorial, afirma que a maior parte da dívida já foi quitada. "O jornal já pagou dezembro, o 13º e o salário de janeiro para a maior parte dos funcionários. Existe ainda um resíduo de janeiro, mas só para os salários mais altos", diz ao Portal IMPRENSA. 


A empresa conta com o dinheiro da venda de um terreno do seu proprietário Omar Peres, na Avenida Atlântica, para se recapitalizar. "Ainda não resolveu por causa de burocracias", explica o executivo. 


Côrtes acredita que até abril a situação financeira esteja estabilizada e somente depois disso será possível implementar os projetos idealizados na época da retomada do jornal. Os planos incluem mais investimentos na internet, mas o vice-presidente afirma que não há risco de o JB voltar a ser exclusivamente online. 


Fundado em 1891, a publicação passou a ser apenas digital em setembro de 2010, justamente por causa de problemas financeiros, quando ainda pertencia a Nelson Tanure. No início de 2017, o jornal foi comprado por Peres e, em janeiro de 2018, a versão impressa voltou a circular.  


As complicações financeiras começaram a crescer no ano passado. A empresa teve cerca de R$ 650 mil bloqueados pela Justiça. "Os funcionários de hoje estão pagando pelos de antigamente, alguns que não eram nem do Jornal do Brasil, mas da Gazeta Mercantil", lamenta Côrtes.   


Nesta sexta-feira (1), o sindicato convocou uma assembleia geral extraordinária para discutir a situação com os funcionários da empresa. A reunião está marcada para a próxima sexta-feira (8). 


De acordo com o sindicato, serão discutidas uma proposta de greve dos trabalhadores, a autorização para que o sindicato os represente na negociação da situação, a deliberação para criação de um fundo de greve e outros assuntos pertinentes à situação. 


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