Mestre do jornalismo policial, Josmar Jozino lança livro sobre bastidores da vida de repórter

Marta Teixeira | 25/02/2019 16:09

Uma aula de jornalismo temperada com histórias reais dos bastidores do dia a dia de um repórter. "Meio que em Off: bastidores do jornalismo", quarto livro do jornalista Josmar Jozino, oferece tudo isso em um texto direto e cativante. 

Crédito: Reprodução

Editada pela Letras do Brasil, a obra será lançada nesta terça-feira (26), a partir das 20h, na Cervejaria Central, em São Paulo. O título é uma brincadeira entre o termo making of (registro do que acontece nos bastidores da produção de um filme, por exemplo) e a expressão jornalística "em off" (usada para o que é dito pelo entrevistado sem que ele queira ser identificado).


Ao contrário do três livros anteriores - Cobras e Lagartos (2005), Casadas com o Crime (2008) e Xeque-Mate: O tribunal do crime e os letais boinas pretas - Guerra sem fim (2012) -, todos livros-reportagens, nesse Jozino, referência nacional na cobertura policial, mostra a rotina de ser repórter. Com mais de 30 anos de atuação no jornalismo, histórias não faltam para ilustrar cada momento importante desse processo. 


Longe de ser um simples livro de memórias ou uma mera coletânea de "causos" curiosos, "Meio que em Off" oferece a uma nova geração de jornalistas referências concretas sobre a realidade do trabalho nas redações. 


Sem a ambição de ser um manual, acaba sendo melhor do que isso. Do nascimento das pautas, ao processo de apuração e às consequências depois de uma matéria ser publicada tudo está lá, em 259 páginas de histórias engraçadas, tristes, curiosas e, acima de tudo, verdadeiras. 


"Meus amigos acham que será uma contribuição grande para estudantes. Eu abordo muito os fatos marcantes que vivenciei, conto como eram as redações, o que acontecia, os chefes malucos, as pautas que passavam, como era o dia a dia dos jornalistas, a melancolia que eles sentiam, a depressão, essas coisas... No início, eu fiquei em dúvida se o livro contribuiria para alguma coisa ou era apenas de memória, mas acho que dentro de memórias, eu contextualizo como eram as redações. Acredito que dará uma contribuição para os estudantes porque narro como era o dia a dia. Acho que esse livro contribui para a história", diz Jozino ao Portal IMPRENSA.  


As lembranças vão desde o começo na Folha Metropolitana de Guarulhos, às passagens pelo Diário Popular (o hoje extinto Diário de S. Paulo), Jornal da Tarde, Agora São Paulo, diversas rádios e Record TV. Das redações imensas nas empresas jornalísticas até o enxugamento em estruturas diminutas.  Mais do que simples saudosismo, Jozino vê sinais alarmantes nessa mudança radical.


"Tive sorte de trabalhar com muita gente que era referência. Hoje é só meninada nas redações. Eles têm muito potencial, são até mais preparados do que nós culturalmente mas, por outro lado, não têm uma referência para acompanhá-los. Acho isso gravíssimo no jornalismo. É um perigo danado. Em qualquer lugar do mundo, quanto mais experiência o profissional tem mais valorizado ele é. Aqui é o contrário, passou de 40 anos é velho". 


Jozino fala com a experiência de quem enfrentou incontáveis desafios que o trabalho na editoria policial oferece. Autor de matérias sobre crime organizado, PCC, investigações e denúncias sobre personagens que se cruzam na cobertura policial - de criminosos a autoridades públicas -, durante quatro meses, andou com escolta de segurança por causa de ameaças a sua vida. 


Um motivo a mais para o autor achar importante veteranos da profissão colocarem sua experiência no papel. "Isso acontece em todos os países desenvolvidos do mundo, não apenas no jornalismo, mas em todas as profissões. O que seria de mim se, na minha época, não tivesse profissionais experientes para me ensinar, dar bronca. Foi assim que fui aprendendo", destaca.


Mesmo com sua já considerável produção literária, Jozino reluta em se classificar um escritor. Antes de mais nada, sente-se jornalista. Apesar disso, seu próximo livro já está a caminho e desta vez será uma obra de ficção. Mas como jornalista não consegue se desligar da realidade, mesmo o ficcional de Jozino tem um pé fincado em fatos reais. 


Em uma cadeia inventada em Goiás, a Gozolândia (gíria antiga usada pelos presos da casa de detenção), o autor narra a relação que surge entre os prisioneiros comuns - membros do PCC (Partido da Comunidade Carcerária) - e os presos por corrupção - integrantes do PCB (Partido do Colarinho Branco).  


Alguns personagens têm nomes fictícios, mas são verdadeiros. "É um livro de ficção, mas que pode até se tornar real. Como antigamente os presos políticos ensinavam aos comuns como sequestrar, roubar banco e os politizavam, agora vão ensinar os presos comuns como lavar dinheiro, montar uma offshore, coisas assim", compara o autor. 


A produção foi interrompida apenas para finalizar "Meio que em Off". "Faltam apenas cinco capítulos. Se possível, termino de escrever neste semestre e vou ver se alguém tem interesse em publicar", finaliza Jozino. 


Serviço:

O que: Lançamento do livro "Meio que em Off: Bastidores do Jornalismo, de Josmar Jozino, editora Letras do Brasil

Quando: 26/2/2019, às 20h

Onde: Cervejaria Central - rua Jesuíno Pascoal, 101 - Vila Buarque - Santa Cecília

 

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