Unesco fará estudo para combater o assédio online a jornalistas do sexo feminino

Redação Portal IMPRENSA | 15/02/2019 11:57

A Unesco está programando a realização de um estudo para ajudar a combater o assédio online feito contra jornalistas mulheres. O primeiro passo neste sentido foi a realização de uma reunião com jornalistas, gestores de empresas de mídia, pesquisadores e representantes da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Crédito: Unesco

O encontro aconteceu esta semana em Viena, capital da Áustria, durante a realização da conferência "Aumentar as oportunidades para a liberdade de expressão e o pluralismo de mídia". Os participantes foram convidados a apresentar dúvidas e sugestões para estudo da Unesco. 


"O objetivo era reunir insumos para um estudo que a UNESCO está planejando para combater o assédio online de mulheres jornalistas", explicou a especialista em programas Saorla McCabe. 


A pesquisa tentará identificar práticas positivas com essa finalidade e produzir recomendações concretas para a mídia em geral, plataformas de mídia social, agências aplicadoras de leis e autoridades. A realização do estudo faz parte de um programa mais amplo da Unesco destinado a lidar com ameaças específicas enfrentadas por jornalistas mulheres tanto online quanto offline. 


"Os participantes do encontro em Viena destacaram diversos problemas", afirmou Saorla. Entre os pontos destacados estão a necessidade de processos efetivos nos casos de assédio digital, a natureza transnacional desse assédio, o papel das plataformas de mídia social e a necessidade da existência de uma cultura de resiliência e solidariedade entre jornalistas. 


Entre as sugestões já apresentadas está a de uma abordagem intersetorial do problema, considerando formas interligadas de discriminação envolvendo raça, orientação sexual etc. 


Além da pesquisa, o projeto prevê a realização de treinamentos para jornalistas e gestores de mídia e a criação de um livro de depoimentos de jornalistas do sexo feminino. Esse último será importante para oferecer uma amostra da diversidade de agressões que essas profissionais enfrentam e maneiras para enfrentá-las.  


A reunião em Viena foi o ponto de partida para as atividades que acompanharão a implantação da pesquisa. Várias consultas ainda serão realizadas. O próximo encontro ligado a essa mobilização será durante o evento pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa programado para o período de 1º a 3 de maio, em Adis Abeba, na Etiópia. 


Participam da iniciativa da Unesco o Global Diplomacy Lab (GDL) e a Bosch Alumni Foundation. 


Situação grave


Recentemente, a imprensa francesa foi sacudida pela revelação que jornalistas e comunicadores participantes de um grupo iniciado no Facebook assediavam virtualmente mulheres e minorias. Entre 2000 e 2010, a autodenominada Liga do LOL (da sigla em inglês para rindo alto) usou as redes sociais para praticar ofensas e ataques, principalmente contra mulheres feministas ou militantes antirracistas.  


Diversas vítimas foram a público contar suas histórias. Como consequência, alguns dos membros da gangue virtual foram afastados ou dispensados dos locais em que trabalhavam.


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