Organizações se reúnem na Europa para discutir jornalismo de confiança

Redação Portal IMPRENSA | 05/02/2019 09:44

Criada para estabelecer um sistema que recompense as mídias que oferecem garantias de transparência, verificação de informação e de correção, de independência editorial e de respeito às regras deontológicas, a Iniciativa Confiança de Jornalismo (da sigla em inglês JTI) se reúne nesta terça-feira (5), na Unesco, em Paris. O projeto é uma proposta de auto-regulamentação voluntária criada pela parceria da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), União Europeia de Rádio-televisão (UER), Agência France-Presse (AFP) e Global Editors Network (GEN).

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Cerca de 120 representantes de mídias, agências de regulamentação, empresas de tecnologia, universidade e organizações internacionais participarão do encontro. Durante a reunião serão analisadas as propostas iniciais de indicadores que permitam identificar um jornalismo de confiança e digno de guiar a tomada de decisões, humana ou algorítmica, na distribuição e consumo de informações.


"Definir os princípios e as boas práticas jornalísticas não é um desafio: os códigos e cartas deontológicos foram formados no curso da história do jornalismo. O problema contemporâneo maior reside na distribuição algorítmica do conteúdo online, que amplifica tudo o que se revela contrário às normas profissionais: o sensacionalismo, o rumor, a falsidade e o ódio. Por isso, as melhores práticas jornalísticas devem ser adaptadas à internet. É uma das condições próprias para inverter a lógica, recompensando e monetizando o respeito a essas normas. A JTI é o elo que falta entre os princípios jornalísticos e os algoritmos", destacou Christophe Deloire, secretário-geral da RSF. 


"Não queremos que governos, reguladores, anunciantes ou as grandes empresas de tecnologia nos digam o que é bom ou mau jornalismo. Então, cabe a nós, a comunidade do jornalismo, assumir o leme", afirmou Bertrand Pecquerie, diretor geral da GEN.


Três grupos de redação e um técnico estão reunidos na capital francesa desde segunda-feira (4). Fazem parte dos grupos de redação apenas profissionais representantes de empresas de mídia - como AFP, AP, DPA, BBC, TV 5 Monde, France Télévision, RTL, Gazeta Wyborcza, Tagesspiegel, Tamedia etc - e organizações profissionais ou não-governamentais como a UER e a Ethical Journalism Network. 


Facebook, Google, Internews, International Press Institute, Fondation Thomson, Worldwide Web Consortium e demais representantes desses segmentos participam da iniciativa, mas integrando outros grupos de trabalho. 


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