Colunista lança livro com história centenária do Nacional

Marta Teixeira | 01/02/2019 12:28

Colunista do Portal IMPRENSA, o jornalista Leandro Massoni Ilhéu lança na próxima semana o livro "Nacional: nos trilhos do futebol brasileiro. Amante das letras e do futebol, Leandro fez um resgate histórico das origens do tradicional clube paulistano, mas conta também muito sobre a evolução do próprio futebol no país. 

Crédito:Divulgação

"O valor histórico, as histórias desses pequenos grandes clubes, como o Nacional, o Juventus da Mooca, a Portuguesa de Desportos, entre outros, devem ser propagados e passados de geração a geração. No meu modo de ver, um clube não é grande somente pelos títulos que conquista, e sim, por sua importância histórica atrelada aos fatos que repercutiram no passado", destaca Massoni ao Portal IMPRENSA.


Para compor a obra, o autor entrevistou mais de 50 pessoas: funcionários, dirigentes, pesquisadores, jornalistas e mesmo ex-jogadores, como Mil, campeão e artilheiro da Copa São Paulo de 1988. O levantamento minucioso valeu-se da colaboração de parceiros como John Mills, o jornalista Celso Unzelte e sua rica biblioteca esportiva, além da biblioteca do Museu do Futebol e do acervo do Blog História do Futebol (www.cacellain.com.br). "Sou muito grato a todos eles por tudo", diz Massoni. O prefácio foi escrito pelo jornalista Mauro Beting.


O projeto


A aproximação do autor com o Nacional ocorreu ainda durante a faculdade de jornalismo. O clube foi  tema do documentário realizado como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) por Massoni e cinco amigos. "Um dos membros do grupo sugeriu o Nacional Atlético Clube. Eu estranhei um pouco, pois nada conhecia acerca desta agremiação. Gostava muito de futebol e passei a amar ainda mais depois que descobri essa bela história. Minha descrença veio por água abaixo após saber que o Charles Miller, o "pai do futebol" no Brasil, junto com os ingleses da São Paulo Railway (SPR) realizaram a primeira partida da modalidade, de forma organizada, nas proximidades da Várzea do Carmo, no centro da cidade de São Paulo."   


O convite para escrever o livro surgiu em 2012, feito pelo vice-presidente da agremiação Edison Gallo a Massoni e Paulo Ascenção, o Paulão, companheiro de TCC, falecido no final de 2017. Na ocasião, o projeto foi deixado de lado pela falta de recursos financeiros e diferenças criativas entre os amigos, mas com a aproximação do centenário do clube (fundado em fevereiro de 1919), foi retomado no segundo semestre de 2017. 

Ao IMPRENSA, o autor fala sobre o projeto:


Há muitas diferenças de conteúdo entre o documentário e o livro?

A diferença está no direcionamento (angulação). No material audiovisual você tinha de resumir os assuntos e juntar as principais ideias dos entrevistados, no livro existe certa liberdade para desdobrar assuntos, muitos deles desconhecidos da minha parte, o que me motivou ainda mais. Por exemplo, em alguns capítulos, consegui "linkar" a história do clube com alguns fatos relacionados como o desenvolvimento da cidade de São Paulo, a Estação da Luz, a primeira sede e que pegou fogo em 1946, gerando a perda de bastante material histórico do início do time no futebol paulista, as "sedes" do time em lugares como Paranapiacaba, Santos, e por aí vai. No geral, ter escrito esse livro foi um sentimento libertador, de gratidão ao que o mundo do jornalismo tem me proporcionado, além de ser o símbolo da minha consideração e carinho pelo Naça.


Quais as principais dificuldades para escrever o livro?

Foram mais no campo financeiro, uma vez que não existem tantos programas de apoio a iniciativas literárias como a minha, e os que tinham não aceitaram o projeto. O jeito foi bancar do próprio bolso, contando com a ajuda da minha namorada Cláudia. Achamos na Editora Flutuante a oportunidade para fazer acontecer este livro. Também contamos com a ATO Cultural, produtora cultural que embarcou neste "trem louco" da história futebolística organizando os lançamentos, e com as páginas "Orgulho de Ser Paulista" e "Museu Ferroviário Paulista", que têm divulgado minha obra através de seus posts.


Quais as experiências mais marcantes que viveu na elaboração do material?

Acho que foram as visitas que fiz a Celso Unzelte e  Odir Cunha, dois nomes gigantes do jornalismo esportivo e escritores de primeira. Também destaco as entrevistas com o Índio, ex-jogador do Naça e que fez história no Santos na década de 1990, em uma padaria na Zona Oeste de São Paulo. Foi um papo super divertido e estava com meu pai, que é santista. Com o Milton Neves também foi muito bacana. As entrevistas com o Carbone e o ex-treinador Rubens Minelli, Dodô (o "artilheiro dos gols bonitos"), Magrão (goleiro e ídolo do Sport Recife) e Zé Carlos (que atou na partida contra a Holanda, na semifinal da Copa do Mundo de 1998, na França), e claro, com o Mil, talvez tenham sido as mais marcantes. Ainda mais essa última, porque todo mundo que é especializado em história do futebol gostaria de saber o paradeiro desse jogador que teve tudo para "explodir" no futebol, mas que por problemas extracurriculares teve um outro destino.


Já tem outros projetos literários programados?

Para 2019, pretendo iniciar duas obras: uma sobre a relação de um jogador (também entrevistado para o livro do Nacional) com um time da várzea de São Paulo e outra sobre o Jair Picerni, ex-técnico do Palmeiras, São Caetano e da seleção brasileira que foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Com o Jair, já estou pensando nos tópicos que pretendo abordar, mas, por enquanto, o foco agora está no livro do Naça e precisamos fazer bonito nos lançamento para garantir os três pontos.


Qual a programação para o lançamento?

O primeiro lançamento será no dia 5 de fevereiro, na Livraria Martins Fontes. O segundo será no Nacional Atlético Clube, ainda com data e horário a definir. Estou gerenciando esses eventos e conteúdos relacionados à obra no Facebook (/livrodonacionalac) e no Instagram (@livrodonacionalac).


Serviço:

O que: Lançamento do livro "Nacional - nos trilhos do futebol brasileiro"
Quando: terça-feira (5 de fevereiro), a partir das 18h30
Onde: Livraria Martins Fontes - Avenida Paulista, 509