As polêmicas das restrições ao trabalho da imprensa na posse presidencial

Redação Portal IMPRENSA | 02/01/2019 09:29

A posse do presidente Jair Bolsonaro foi marcada por inúmeras e inéditas restrições ao trabalho da imprensa. A situação ficou tão ruim para os profissionais que pelo menos quatro jornalistas estrangeiros simplesmente desistiram de fazer a cobertura. 

Crédito:Valter Campanato/Agência Brasil

De acordo com relatos de participantes do evento o trabalho da imprensa foi dificultado pela equipe do novo governo desde o início. Os profissionais não tinham liberdade para circular entre os poderes para fazer entrevistas ou colher imagens. 


Os jornalistas tiveram de chegar ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde funcionava o governo de transição, às 7h, para serem transportados em ônibus oficial para os locais onde foram realizadas as diversas etapas da cerimônia de posse.
 
No Ministério das Relações Exteriores, o grupo ficou confinado em uma sala sem janelas e, inicialmente, sem acesso aos banheiros (o que posteriormente foi revertido). A falta de condições de trabalho revoltou profissionais de empresas de mídia internacionais que se recusaram a aguardar durante seis horas na sala sem poder fazer nada e preferiram simplesmente abrir mão de fazer a cobertura.


Foi a primeira vez que uma cobertura de posse teve tantas restrições aos profissionais. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota criticando a situação. 


"Um governo que restringe o trabalho da imprensa ignora a obrigação constitucional de ser transparente. Os brasileiros receberão menos informações sobre a posse presidencial por causa das limitações impostas à circulação de jornalistas em Brasília. Confinados desde as 7h, alguns com acesso limitado a água e a banheiros, eles não puderam interagir com autoridades e fontes, algo corriqueiro em todas as cerimônias de início de governo desde a redemocratização do país. A Abraji protesta contra este tratamento antidemocrático aos profissionais que estão lá para levar ao público o registro histórico deste momento", protestou a entidade. 


A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também se manifestou criticando as medidas consideradas excessivas no esquema de segurança. "A segurança não pode ser justificativa para medidas autoritárias e abusivas, que visam, na verdade, dificultar o trabalho dos jornalistas e restringir a produção e a livre circulação da informação. O verdadeiro aparato de guerra montado para a posse revela que a tática de Bolsonaro de espalhar o medo, utilizada na campanha eleitoral, será mantida no governo", declarou a entidade em nota oficial.


Assista ao relato da jornalista Simone Kafruni, do Correio Braziliense.


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