Grupo Abril é vendido a empresário. Cade precisa aprovar acordo

Redação Portal | 20/12/2018 20:44

O empresário Fábio Carvalho e a família Civita entraram em acordo para a negociação do Grupo Abril. A empresa será repassada pelo valor simbólico de R$ 100 mil ao novo dono. O acordo ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

Crédito:Divulgação

Carvalho é especializado em adquirir empresas em crise e tentar recuperá-las. A Abril tem uma dívida estimada de R$ 1,6 bilhão. O Grupo entrou em recuperação judicial em agosto, quando passou a ser administrado por Marcos Haaland, da Alvarez & Marsal.


Na proposta de recuperação, a empresa propôs pagar apenas 8% da dívida a seus credores em um prazo de até 18 anos. Entre os credores estão, além de centenas de trabalhadores, diversos bancos. As pendências trabalhistas correspondem a aproximadamente R$ 90 milhões. 


No início do mês de dezembro, a Justiça do Trabalho determinou que a Abril reintegre todos os funcionários demitidos desde julho de 2017. O prazo para que isso seja feito é de 30 dias. 


O novo proprietário deverá assumir a função de CEO da empresa assim que o Cade der seu aval para a transação, o que deve acontecer em fevereiro.  


"A capacidade e importância jornalística do Grupo é inegável. Não temos dúvida dos méritos e qualidades que permeiam as companhias do Grupo e que serão os pilares sobre os quais nos apoiaremos para superar os grandes desafios que se apresentam", afirmou Carvalho em nota. 


Giancarlo Civita, que comandava o grupo até o pedido de recuperação judicial, desejou boa sorte ao novo dono. "Fábio reúne as características de empreendedor e a visão de negócio que os novos tempos exigem. Desejamos a ele muito sucesso."


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo se manifestou pedindo que a família Civita sub-rogue a dívida trabalhista. "Prosseguimos nos dirigindo à família Civita para que sub-rogue a dívida trabalhista, pois tem uma dívida moral com todos os que construíram sua fortuna com um trabalho abnegado e diário por anos, e, no caso da venda, esperamos que sua concretização inclua o pagamento imediato e integral de tudo o que é devido a demitidos e freelancers (valor equivalente a menos de 6% do total da dívida da empresa)", disse a direção da entidade em nota. 


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