DCI negocia PDV com redação e corta 48% da equipe do jornal

Marta Teixeira | 19/12/2018 16:48

O jornal DCI (Diário Comércio Indústria e Serviços) reduziu em 48% sua equipe na redação. A empresa abriu um Plano de Demissão Voluntária (PDV) e cortou 11 dos 23 jornalistas que compunham seu quadro de funcionários. 

Crédito:Reprodução

O acordo foi negociado com os próprios funcionários e teve intermediação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). Com o PDV, além das verbas rescisórias tradicionais, cada profissional que deixou a empresa também receberá mais meio salário por cada seis meses trabalhados, terá direito ao plano de saúde pelo período do aviso prévio, mais o equivalente financeiro a seis meses do valor que a empresa gastaria com o plano de saúde, indenização de R$ 1 mil como ajuda para requalificação profissional e prioridade caso o jornal volte a fazer contratações. 


Com o enxugamento da equipe, o número de páginas da publicação também será reduzido de 14 para dez. Além disso, o sindicato acompanhará a situação pelos próximos seis meses para verificar que não haverá aumento na carga de trabalho. 


"O que nos levou a tomar essa decisão (de negociar) foi o desejo de buscar o processo mais humanizado. Queríamos que as pessoas saíssem mantendo a gratidão e com o mínimo de garantia para continuar sua vida e iniciar um novo ciclo", afirmou ao Portal IMPRENSA, Raphael Müller, diretor executivo do DCI. 

Para o sindicato, dentro da realidade estabelecida, a solução encontrada teve um caráter positivo. "É a primeira vez que temos esta experiência para negociar antes as condições para as demissões. A gente lamenta as demissões, claro, mas nesse caso foi possível debater formas de enfrentar a situação. Foi um resultado importante dentro da situação negativa, uma medida que ajudou a mitigar o drama social provocado pela demissão", disse Paulo Zocchi, presidente do SJSP. 


Não estão previstas novas demissões na empresa. De acordo com Müller, outra preocupação foi assegurar que a redução de pessoal fosse realizada de uma única vez "para não gerar insegurança". "Em virtude do momento que a indústria passa, não apenas aqui, mas no mundo todo, fizemos um processo de reestruturação e, infelizmente vimos que não poderíamos contar com o mesmo tamanho para 2019. O processo está concluído e não temos planos de nenhum outro ajuste. Isso foi feito para permitir dar continuidade ao jornal, desenvolver um trabalho sustentável a longo prazo, mas é apenas um dos pilares para buscar um modelo de negócios sustentável, outros envolvem aumento de captação, de receitas, de assinaturas", explicou o executivo.


À frente da empresa desde maio de 2016, ele destacou a importância da colaboração de todos os envolvidos na questão, funcionário, sindicatos, acionistas e direção.  


As negociações concretas tiveram início no dia 28 de novembro quando, após ser procurado por representantes da empresa, o sindicato se reuniu com os funcionários para comunicar a intenção do jornal de reduzir sua equipe. Os próprios trabalhadores optaram pela criação de um PDV cuja primeira minuta foi lida no dia 7 de dezembro. O plano ficou aberto nos dias 12 e 13 e as dispensas foram formalizadas na última sexta-feira (14).


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