Redes sociais: um Ás na divulgação da pauta AIDS/HIV para a sociedade

Marta Teixeira | 13/12/2018 15:36

Que as redes sociais têm o poder de transformar praticamente qualquer assunto no tema do momento já ficou comprovado inúmeras vezes. Geralmente, essa possibilidade só é destacada quando o efeito é nocivo. Mas por que esse poder ainda hoje é subaproveitado em causas socialmente importantes?

Crédito:Gisele Sotto

Durante o Fórum Aids e o Brasil, realizado em São Paulo, na última semana, Miguel Groisman, estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, chamou a atenção para a possibilidade de explorar os recursos das mídias sociais para difundir informações de qualidade sobre o assunto. 


Apesar de todos os avanços no tratamento e sobre técnicas seguras de prevenção, no Brasil, em 2017, foram diagnosticados 42.420 novos casos de HIV e 37.791, novos casos de AIDS. Muitos deles, estavam ligados à baixa de guarda da população em relação à prevenção ou ao tratamento. 


"As redes sociais entram como um Ás. Os youtubers, por exemplo, têm um potencial muito grande de conexão com as pessoas que precisam ser lembradas (...) para que não aconteça em 2030 o mesmo que aconteceu nos anos 90", ressaltou Miguel. 


Ele e a graduanda Paula Maia, aluna de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, se juntaram à professora Edilaine Felix, da FIAM-FAAM Centro Universitário, para refletir sobre "Como viralizar a pauta AIDS/HIV em eventos e projetos universitários". A mediação foi do jornalista Fabio Rubira.


Paula ponderou que ainda há uma visão muito sensacionalista sobre como é viver com HIV. "É importante trazer estas pautas de maneira de fácil compreensão e um viés mais jovem", destacou, apontando debates e campanhas de apelo acessível uma opção importante para "viralizar a pauta". 


A pouca atenção dada ao tema pela mídia tradicional no dia a dia também chama a atenção de Edilaine. Em seu contato com os estudantes, a educadora percebeu que a universidade pode ser uma ferramenta importante para amplificar a valorização do assunto. 


"Os estudantes percebem a importância do tema e observam que não existe quase nada sobre isso na mídia. Eu digo que essa é a importância de trabalhá-lo. Essa viralização começa já em sala de aula", destacou.


Groisman e Paula são prova disso. Ambos desenvolveram projetos ligados ao tema depois de terem o interesse despertado em aulas. Ele explorou o assunto pelo viés do fotojornalismo. 


Sob o título "A Linha Vermelha: Therese Frare e a representação fotojornalística da AIDS na década de 1990”", Groisman fez uma pesquisa sobre o retrato do ativista David Kirby feito por Therese Frare quando ele estava falecendo. A fotografia foi considerada pela LIFE Magazine “a foto que mudou a face do HIV/AIDS” e o estudante analisou as fotografias de mesma temática vencedoras do World Press Photo nos anos seguintes para verificar se o fotojornalismo havia trocado os estigmas por uma forma mais humanizada de representação. 


Paula e outros alunos desenvolveram um documentário como projeto experimental de telejornalismo. Intitulado "Vivendo na PostiHIVidade", o documentário propõe uma reflexão sobre a vida das pessoas após o diagnóstico com HIV. O objetivo é quebrar a patologização do vírus na sociedade. 


"É importante essa produção sair da sala de aula. São iniciativas importantes para pensarmos cada vez mais pautas interessantes para acabar com o estigma e com o preconceito. Às vezes, o que começa na sala de aula se transforma em um vídeo, um livro-reportagem e muitas vezes vai para a imprensa", destacou Edilaine.


No caso de Groisman, o trabalho será inscrito em congressos. Paula e seus amigos vão apresentar o projeto na universidade e, posteriormente, disponibilizá-lo em plataforma digital. 


Edilaine ressaltou ainda outra linha jornalística que rende grandes reportagens sobre AIDS/HIV: o jornalismo de dados. "É um espaço no qual meus alunos conseguiram trabalhar muito essa temática." 



Dividido em quatro blocos, o Fórum AIDS e o Brasil debateu os temas "AIDS e fake news: é possível brecar esta nova onda?", "A valorização do jornalismo científico dentro e fora das universidades", "Os labjors no combate à AIDS e outras IST" e "Como viralizar a pauta em eventos e projetos universitários". 


O Fórum foi promovido pela Revista e Portal IMPRENSA, em parceria com o Ministério da Saúde e o curso de jornalismo da ESPM e teve o apoio do UNAIDS - programa da Organização das Nações Unidas para combater a doença.

Para conferir os destaques do Fórum Digital Aids 2018 e ver conteúdos relacionados, acesse www.portalimprensa.com.br/forumaids


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