Com 251 jornalistas presos, levantamento do CPJ alerta sobre aumento na repressão à liberdade de imprensa

Redação Portal IMPRENSA | 13/12/2018 09:58

O Comitê para Proteção ao Jornalista (CPJ) divulgou nesta quinta-feira (13) a nova edição do seu relatório de jornalistas presos. O levantamento registra pelo menos 251 profissionais de imprensa encarcerados em todo o mundo por acusações ligadas à sua atividade profissional, reforçando, pelo terceiro ano consecutivo, o aumento da repressão à liberdade de imprensa. 

Crédito:Reprodução/CPJ

"O terrível ataque global contra jornalistas que se intensificou nos últimos anos não mostra sinais de declínio. É inaceitável que 251 jornalistas estejam presos em todo o mundo apenas por cobrir as notícias. O preço mais alto está sendo pago por aqueles que se importam com o fluxo de notícias e informações", disse o diretor executivo do CPJ, Joel Simon. 


A Turquia aparece como o país com o maior número de detenções deste tipo. Atualmente, há 68 jornalistas presos. A China ocupa a segunda colocação, com 47, seguida pelo Egito (25). Juntos, os três países são responsáveis por mais da metade de todas as prisões registradas.  


No Brasil, o CPJ indica apenas um profissional nesta situação. O levantamento cita Paulo Cezar de Andrade Prado, responsável pelo Blog do Paulinho, preso desde 9 de novembro. Ele é acusado de difamação por um post publicado em 2013 com críticas ao também jornalista Milton Neves. 


De acordo com o relatório, 70% dos profissionais de imprensa são acusados pelos governos de seus países de pertencerem ou apoiarem grupos ou organizações consideradas terroristas pelas autoridades locais. O levantamento também constatou um crescimento significativo nas detenções ligadas a supostas publicações de notícias falsas. Em 2018, o CPJ levantou 28 casos, contra apenas nove dois anos atrás. O número de jornalistas mulheres presas também aumentou mundialmente. Atualmente, elas somam 33.


O Comitê também chama a atenção para o número de prisões sem acusação. Na China, por exemplo, há pelo menos dez profissionais nesta situação. Todos eles, estão detidos na região de Xinjiang que vive sob forte pressão do governo de Pequim e onde foi registrada uma forte onda de perseguição contra a minoria étnica Uighur.


Acesse o levantamento do CPJ.


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