Vice-presidente do Facebook responde com evasivas sabatina sobre desinformação

Redação Portal IMPRENSA | 29/11/2018 15:56

"Evasivas", assim o deputado Alessandro Molon (PSB) definiu as respostas dadas pelo vice-presidente de soluções políticas do Facebook, Richard Allan, às perguntas que lhe foram feitas pelo comitê global de parlamentares sobre desinformação. O parlamentar, que também foi o relator do Marco Civil da Internet na Câmara federal, foi o representante brasileiro no evento, realizado na Inglaterra. 


Crédito:Reprodução/Youtube
"Suas respostas foram evasivas. Respostas de quem ainda não sabe o que responder, de quem está procurando soluções mas ainda não mostrou serviço", disse Molon, em vídeo postado em sua conta no Twitter. "Eu cobrei soluções sobre como evitar que o WhatsApp seja o paraíso das disseminações das fake news."

Em resposta, Allan afirmou que a empresa está comprometida com o combate à disseminação de desinformação. Apesar disso, o executivo não foi capaz de apresentar ações concretas convincentes nesse sentido. "Respondeu que a estimativa que eles têm de perfis falsos é de 3% a 4% e se disse comprometido a buscar de soluções", relatou o parlamentar.


Para Molon, as respostas aos questionamentos não foram suficientes. "Cobramos explicações. Apresentei a necessidade de termos um compromisso dessa rede social com a proteção da democracia. Foi na democracia que o Facebook nasceu. Em países não democráticos as redes sociais são controladas portanto, nada mais razoável que essas redes sociais tenham um compromisso com a proteção da nossa democracia", ressaltou. 


O encontro de parlamentares reuniu representantes de vários países, inclusive Argentina, Bélgica, Canadá, França, Irlanda, Letônia e Singapura. Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, foi convidado a participar, mas alegou não poder comparecer e foi representado por Allan.


Durante a sabatina, o vice-presidente da plataforma declarou que "eles não desejam que seu serviço seja usado para manipulação. Mas não querem interferir em comunicações privadas".


Apesar das respostas evasivas do executivo, Molon considerou que foi dado um passo importante. "Assinamos uma carta de princípios bastante gerais, mas que apontam uma direção de não permitir que as redes sociais sejam usadas para disseminação de mentiras e manipulação da democracia. Agora a gente começa nova etapa cobrando respostas e não vamos parar por aqui. Queremos que o Facebook diga como vai enfrentar o problema, demonstrar compromisso de encontrar soluções e não apenas de descobrir maneiras de aumentar seus lucros. Quem tem muitos lucros e tamanho enorme tem de ter também uma grande responsabilidade", completou o parlamentar.


Assista abaixo a participação de Molon na sabatina com Richard Allan.



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