Associação pede que Justiça argentina investigue envolvimento de príncipe em morte de jornalista

Redação Portal IMPRENSA | 27/11/2018 10:14

O príncipe saudita Mohamed bin Salman deve participar da reunião do G20, nesta semana, em Buenos Aires, na Argentina. Por isso, a associação Human Rights Watch (HRW) pediu à Justiça do país que abra um processo de investigação para apurar o envolvimento do regente na morte do jornalista Jamal Khashoggi. A ONG também solicitou que ele seja investigado por crimes de guerra contra o Iêmen.


Crédito:Reprodução/Youtube

"A presença dos príncipe herdeiro na reunião do G20, em Buenos Aires, poderia transformar os tribunais argentinos em uma via de reparação para as vítimas de abusos que não podem buscar justiça no Iêmen ou na Arábia Saudita", informou a HRW em comunicado.


Para apresentar o pedido, a organização levou em consideração o fato de a Constituição argentina reconhecer jurisdição universal para crimes contra a humanidade, independentemente da nacionalidade das vítimas, dos criminosos ou do local em que o crime tenha sido praticado.


Khashoggi foi assassinado no dia 2 de outubro, quando estava no consulado da Arábia Saudita, em Istambul, na Turquia. Depois de várias versões apresentadas, 11 homens foram indiciados pelo crime. O governo saudita responsabiliza os acusados, afirmando que a morte foi resultado de uma briga entre o jornalista e esse grupo, do qual fazem parte membros da equipe de segurança, mas nega qualquer envolvimento do príncipe.


Um relatório da CIA, contudo, constatou indícios de responsabilidade de Bin Salman no crime. O procurador federal Ramiro González está encarregado de analisar o pedido da HRW. Reportagem do jornal argentino Clarín, contudo, informa que fontes ouvidas na Justiça classificaram como "muito difícil" que a ação avance e que o assassinato de Khashoggi pode não ser qualificado como "crime contra os direitos humanos".


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