'Salvaguardar o nosso direito à informação livre e responsável é minar as ambições dos terroristas', diz Unesco

Redação Portal IMPRENSA | 23/11/2018 09:05

Cerca de 400 pessoas participaram da Conferência "Terrorismo e mídia" promovida pela Unesco em parceria com a associação 13onze15, que reúne vítimas dos ataques de 13 de novembro de 2015, em Paris. O encontro foi realizado na capital francesa com o objetivo de debater os dilemas jornalísticos no tratamento da questão do terrorismo. 

Crédito:Divulgação/Unesco

"O terrorismo ameaça nossos direitos mais básicos. O objetivo é gerar um clima de ansiedade que possa levar os cidadãos a rejeitar a responsabilidade coletiva de um ataque a uma comunidade específica e os tomadores de decisão a pedir a adoção de medidas coercivas. No entanto, uma democracia privada do Estado de Direito, privada da liberdade de expressão, não é mais uma democracia completa. Proteger as liberdades dos cidadãos e dos meios de comunicação - liberdade de pensamento, informação e expressão - e salvaguardar o nosso direito à informação livre e responsável à medida que protegemos um patrimônio imaterial dos direitos humanos, é tanto minar as ambições dos terroristas como contrariar os seus extremismos e ideias violentas", disse o diretor-geral assistente para comunicação e informação da Unesco, Moez Chakchouk. 


A conferência fez parte do movimento global de reflexão iniciado pela Unesco em relação à cobertura da mídia sobre terrorismo. Durante o evento, Chakchouk informou que o guia "Terrorismo e a mídia" elaborado pela instituição será transformado em módulos de treinamento a serem testados em dezembro durante um workshop em Sahel, na África. 


"Garantiremos que essas iniciativas sejam apenas o ponto de partida de um programa maior e mais holístico. Além disso, precisamos de parceiros e recursos, também financeiros, em torno desse propósito primordial. Porque a liberdade de informação não deve ser questionada pelo terrorismo. Porque a liberdade de informação também é um direito que deve ser usado com profissionalismo", destacou o dirigente. 


Os debates reuniram jornalistas, estudantes, vítimas e pesquisadores e não se limitaram à análise das formas tradicionais de terrorismo. Questões ligadas à violência extremista online e a mídia eletrônica também foram abordadas. 


Os especialistas destacaram mudanças nas técnicas adotadas pelos terroristas na utilização e disseminação de informações de seu interesse. "Grupos extremistas violentos produzem, e isso é um fenômeno novo, vídeos feitos com relatórios de agências de notícias, noticiários. Depois disso, os comunicadores desses grupos usam todas as imagens e comentários feitos pelos jornalistas de nossa mídia para justificar suas ações e fazer propaganda", alertou a Unesco em seu balanço final do encontro. 


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